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O panorama eleitoral para 2022
toma rumo diferente do visto em 2018. Enquanto naquela ocasião se pregava a
renovação, para o pleito do ano que vem, o eleitor parece optar por candidatos
já tarimbados, como mostram todas as pesquisas de intenção de voto.
Dos quatro primeiros colocados nos
levantamentos da corrida presidencial, por exemplo, três já foram bem testados
nas urnas: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT); o atual chefe do
Executivo, Jair Bolsonaro (sem partido); e o ex-ministro Ciro Gomes (PDT).
Somente em quarto lugar aparece o ex-juiz Sergio Moro (Podemos), que entrou
oficialmente para a política.
Na última sexta-feira (12),
levantamento Exame/Ideia mostrou que Lula lidera todos os cenários eleitorais
para a presidência.
Na avaliação do cientista político
Leonardo Leite, o "recall" é atrativo por diversos motivos.
"Lula é o mais experiente, pois concorre desde 1989 e traz em sua bagagem
de governo a aliança com os mais necessitados. Ciro também é muito conhecido,
especialmente no Nordeste. Bolsonaro, obviamente, é o que está na imprensa
agora e tem a máquina na mão. Também ainda tem um segmento muito fiel a
ele", elencou.
Carlos Pereira, pesquisador e
professor da FGV Ebape, lembrou que a mesa ainda está sendo posta. "Há muitos
eleitores indecisos e antiLula, antiBolsonaro. Em 2020, quase 50% dos eleitores
romperam com Bolsonaro na pandemia, a maioria por causa da falta de medidas
contra a covid-19", disse.
"Os antipetistas também
romperam com o presidente, agora com o retorno da inflação e o descontrole das
contas públicas. Mas esse eleitor não está disposto a votar em Lula. Assim, é
nesse setor que vai se inserir a candidatura de Sergio Moro. Trata-se de uma
grande fatia da classe média."
Terceira via
Além de Ciro e Moro há um leque de
nomes que quer representar a alternativa à polarização Lula-Bolsonaro, a
chamada terceira via: Rodrigo Pacheco (PSD), Luiz Henrique Mandetta (União
Brasil), Simone Tebet (MDB), Luiz Felipe D'Avila (Novo), Alessandro Vieira
(Cidadania), além de um tucano — as prévias no PSDB estão marcadas para o
próximo dia 21 e estão no páreo para representar o partido na corrida eleitoral
os governadores de São Paulo, João Doria; e do Rio Grande do Sul, Eduardo
Leite; e o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio Neto.
"A etapa em que nós estamos é
justamente de apresentação de nomes e de propostas. Mais adiante — lá para
fevereiro ou março —, espero que a gente possa iniciar uma segunda etapa, que é
de concentração de uma candidatura ou a menor quantidade possível de
candidaturas nesse espaço da terceira via", afirmou o senador Alessandro
Vieira.
Mesmo que haja muitos nomes
possíveis para levantar a bandeira da terceira via, os reais pré-candidatos
aparecerão apenas no próximo ano, como destacou Carlos Pereira. "Na última
eleição, os partidos estavam em frangalhos, a política tradicional estava toda
corrompida e, consequentemente, um candidato outsider, que se vendia como
alternativa, deixou um espaço grande para uma candidatura baseada em renovação.
Bolsonaro foi hábil para assumir essa posição", frisou.
"Agora, porém, essa eleição
vai ser diferente, porque tudo que o presidente fez gerou consequências sobre o
discurso da renovação. Existe um mercado muito fértil para uma candidatura
alternativa e, como existem muitos possíveis pré-candidatos agora, ainda não se
sabe quem realmente vai desabrochar", acrescentou.
Segundo o especialista, o nome com
maior destaque é o do ex-ministro da Justiça. "Se eu pudesse apostar em
algum agora, seria Moro, por causa do sentimento contra Lula e Bolsonaro",
disse. "É preciso observar as prévias do PSDB e ver se o partido vai se
apresentar de forma robusta ou terá um desenvolvimento pífio, como em
2018."
A análise de Leonardo Leite é
similar: "Agora, a grande atração da terceira via, na minha avaliação, não
é nenhum desses nomes novos. Quem vem para ficar é o Sergio Moro. Ele é o nome
da terceira via que está aparecendo em todas as pesquisas. O interesse em torno
da candidatura dele vai crescer muito".
Para o especialista, "Moro, além de ter a questão da Lava-Jato, que já agrada muita gente, tem um perfil que vai ser formatado para atender bandeiras liberais que Bolsonaro não conseguiu entregar, por exemplo, privatizações, atração de investimento estrangeiro, modernização da economia, reformas importantes".
FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO.