
Juan, que tinha 45 anos na época do abuso, negou todas as acusações feitas pela atriz, que tornou o episódio público e fez a denúncia em 2018. A informação do julgamento foi divulgada pela Uol. "Durante nove anos anulei tudo que aconteceu para poder seguir adiante. Até que o testemunho de uma outra garota (em referência à denúncia de Calu Rivero no ano passado) me fez reviver tudo", contou a atriz, entre lágrimas, em uma entrevista coletiva da época.
Em 2019, a Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) chegou a emitir um alerta vermelho de captura contra o ator. Darthés estava vivendo no Brasil desde que a acusação de Thelma veio à tona, no fim do ano anterior. Outras atrizes já denunciaram o argentino. Todas disseram que ao sofrerem alguma violência por parte de Darthés, ouviram dele a frase "olha como você me deixa".
Filho de argentinos, ele nasceu em São Paulo e foi registrado como Juan Rafael Pacífico Dabul. A família voltou ao país vizinho quando ele ainda era criança e o ator se tornou uma estrela. Brasil e Nicarágua, onde o estupro aconteceu, não possuem acordo de extradição. Por ser brasileiro, Darthés não pode ser preso no Brasil até que o Supremo Tribunal Federal faça um pedido de prisão preventiva contra ele.
Em 2018, logo após a denúncia de Thelma Fardín, a Unidade Fiscal especializada em violência contra a mulher do Ministério Público argentino, criada em 2015, recebeu uma enxurrada de denúncias e pedidos de ajuda de mulheres de todas as idades, que decidiram romper o silêncio sobre abusos sofridos, em alguns casos, há décadas. O impulso a todas essas mulheres foi dado pela denúncia da atriz Thelma Fardin.
A acusação de Thelma provocou uma reação em massa de outras mulheres que, de alguma maneira, sentiram que chegou a hora de denunciar. Um novo Nunca Mais, lema das organizações de direitos humanos que lutam para esclarecer crimes da ditadura, desta vez para conter a violência de gênero.
— A denúncia de Thelma teve o impacto de uma tsunami. Não só em unidades como a nossa, mas em muitos outros âmbitos. No Twitter, a hashtag #amitambiénmepasó (também aconteceu comigo) foi usada por milhares de mulheres, em alguns casos senhoras de 80 anos, que se atreveram a falar de abusos no passado — disse a promotora Mariela Labozzetta, à frente da unidade especializada em violência contra mulheres do MP argentino.
FONTE: FOLHA DE PERNAMBUCO.