
Mariposa do tipo Hylesia / Reprodução do google.
O contato com cerdas de um tipo específico de mariposa está sendo considerado pela Secretaria Executiva de Vigilância em Saúde do Recife como a principal hipótese para o surto de lesões na pele em Pernambuco.
A semelhança dos casos com outros surtos ocorridos no Brasil nessa mesma época do ano, e a proximidade da Mata Atlântica com os municípios que possuem notificações do tipo levam os estudos a considerarem que mariposas da espécie hylesia estejam provocando as lesões.
Segundo a secretária executiva de Vigilância em Saúde do Recife, Marcella Abath, quando voam próximo a lugares luminosos ou lâmpadas, as mariposas liberam cerdas.
“Essas cerdas formam uma espécie de nuvem que fica no ar ou caem na superfície. Se a pele tiver contato direto ou por meio de uma roupa que esteja com essas cerdas, pode haver reação alérgica e coçar bastante, causando as lesões”, afirmou a secretária, informando que mesmo diante da forte hipotese da mariposa, o estudo ainda não está concluído.
“A investigação da causa pela
escabiose está em andamento, mas por ela ser contagiosa e não encontramos
a presença de ácaros, essa hipótese está sendo enfraquecida”.
A secretária também informou que a investigação da água não
apontou nada que pudesse provocar as lesões. “Além disso, não termos uma fonte
única de abastecimento nos dois bairros com maior incidência, que são Dois
Irmãos e Guabiraba [ambos localizados na Zona Norte do Recife]. A hipótese das arboviroses também
foi enfraquecida porque o quadro clínico não aponta para dengue nem
chikungunya”, afirmou Marcella.
O Recife é o município com maior números de casos registrados até o momento,
contabilizando 335 notificações, segundo informou a secretária executiva de
Vigilância em Saúde do Recife.
SBD
Embora o município ainda trate a relação das lesões com as mariposas como
possibilidade, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) se refere ao
caso como um mistério desvendado.
De acordo com a entidade, a
dermatologista Cláudia Ferraz conduziu uma pesquisa sobre a história
epidemiológica e descreveu adequadamente as lesões, o que levou a suspeitar da
provável etiologia.
Por sua vez, o também dermatologista Vidal Haddad Junior, que havia
testemunhado e publicado outros surtos, esclareceu a etiologia da erupção. O
relatório de ambos atesta.
A SBD enaltece que o trabalho da dupla permitiu descartar várias hipóteses levantadas para explicar a origem do surto, como intoxicação por ivermectina, escabiose (sarna), picadas de insetos, entre outras que, segundo a entidade, não tinham comprovação técnica ou científica.
FONTE: FOLHA DE PERNAMBUCO.