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É FAKE! / Reprodução do g1.
Circula nas redes sociais um vídeo em que uma mulher apresenta uma palestra intitulada "Autópsias de casos de óbito após vacinação", apontando imagens e estudos para relacionar as causas da morte das pessoas a vacinas contra a Covid-19. As alegações são #FAKE.
A mulher apresenta um estudo intitulado "First case of postmortem study in a patient vaccinated against SARS-CoV-2" ou "Primeiro estudo de caso post mortem em um paciente vacinado contra SARS-CoV-2" e figuras que apontam lesões no nariz, língua, pulmão, cérebro, traqueia, miocárdio e rins.
O estudo, entretanto, não fala de danos provocados pela vacina. Trata-se, na verdade, da análise do que ocorreu com um homem de 86 anos, anteriormente sem sintomas, que recebeu a primeira dose da vacina e que morreu quatro semanas depois de insuficiência renal e respiratória aguda. O estudo diz que, embora ele não apresentasse quaisquer sintomas específicos de Covid-19, ele testou positivo para SARS-CoV-2 antes de morrer. Segundo os autores, os resultados podem sugerir que a primeira vacinação induz imunogenicidade, mas não imunidade estéril, que é uma proteção mais ampla.
O mesmo estudo foi usado anteriormente para uma outra mensagem falsa com o mesmo teor, desmentida pelo FactCheck em junho. Um dos autores do estudo afirma que não houve nenhum sinal de efeito colateral da vacinação no cadáver autopsiado - diferentemente do alegado pela mulher.
Em seguida, ela cita um pesquisador da Universidade de Heidelberg, na Alemanha, que fez uma suposição de que boa parte das mortes ocorridas duas semanas após a vacinação podia ter relação com reações ao imunizante. Ela esconde, entretanto, que o cientista é a favor das vacinas e que ele mesmo foi vacinado, de acordo com relatos da imprensa alemã. E que a opinião dele foi refutada por outros cientistas, pela Comissão Permanente de Vacinação (Stiko) e pelo Instituto Paul Ehrlich, autoridade responsável na Alemanha pelo monitoramento da segurança de vacinas e biomedicamentos.
No passo seguinte, a palestrante apresenta fotos e um vídeo chocantes. Ela narra: "Essa foi uma das autópsias. Isso é um coágulo. Ali é um crânio aberto. E vejam o tamanho do coágulo. Uma hemorragia cerebral causada numa menina de 16 anos (...) Essas vacinas, ditas vacinas, que não são vacinas - vejam o tamanho do trombo -, elas simplesmente desencadeiam uma inflamação da parede dos vasos e isso causa a chamada vasculite ou endotelite e naturalmente acontece um processo inflamatório e toda essa sequência de danos que podem com frequência estar causando a morte".
As alegações são contestadas pela Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR). "Diante da circulação em redes sociais de vídeo que apresenta, erroneamente, relação de imunização contra Covid-19 e surgimento de vasculites ou endotelites, a SBR afirma que não há relação de causalidade confirmada entre as vacinas da Covid-19 e a ocorrência de vasculites ou endotelites. A imunização contra Covid-19 é, indiscutivelmente, a medida mais eficaz no combate à pandemia", diz a assessoria da SBR.
"Todas as vacinas contra Covid-19, aprovadas no Brasil, cumpriram todas as etapas de pesquisa clínica necessárias para o desenvolvimento de novas tecnologias, sendo aprovadas pela Anvisa para seu uso na população geral. Os eventos adversos possivelmente relacionados a essas vacinas têm sido monitorados por um rigoroso processo de farmacovigilância, sendo que, até o momento, estes eventos foram raros e os benefícios superam os riscos, até mesmo por pareceres publicados pelos órgãos regulatórios, como Organização Mundial da Saúde (OMS), Organização Pan-americana de Saúde (Opas), Centro de Controle de Doenças e Prevenção (CDC), dentre outras referências mundiais", diz a nota.
A mulher prossegue com a palestra e apresenta um slide com dados em uma balança, dizendo que o risco de miocardites é muito maior em crianças e jovens vacinados do que naqueles que não recebem a vacina. Isso também não é verdade.
O Centers for Diseade Control And Prevention (CDC) dos Estados Unidos fez, em agosto, um relatório que aponta que os pacientes com Covid-19 tiveram quase 16 vezes o risco de miocardite em comparação com os pacientes sem Covid-19, e que o risco variou por sexo e idade. O documento conclui que esses achados ressaltam a importância da implementação de estratégias de prevenção contra Covid-19 baseadas em evidências, incluindo vacinação, para reduzir o impacto do Covid-19 na saúde pública e suas complicações associadas.
Em outubro, a Food and Drug Administration (FDA) - agência reguladora americana - avaliou a segurança e a eficácia da vacina da Pfizer/BioNTech em crianças de 5 a 11 anos e concluiu que os benefícios do imunizante superam os riscos de eleitos colaterais nessa faixa etária.
Um estudo em Israel com mais de 2,4 milhões de pessoas publicado no periódico científico New England Journal of Medicine também analisou eventos adversos e reações e concluiu que a vacina é mais segura do que pgar Covid-19.
"O efeito da Covid-19 se demonstrou muito mais grave, sobretudo no que se refere à inflamação do coração (miocardite). Enquanto o evento foi observado apenas 2,7 vezes a cada 100 mil pessoas vacinadas, a incidência do aparecimento da doença saltou para 11 casos a cada 100 mil infectados por coronavírus não vacinados", diz o texto.
Na parte final do vídeo, a palestrante apresenta mais uma teoria antivacina, dizendo que um economista político fez um cálculo de que "para salvar uma criança de morrer pela Covid, outras 117 crianças morrerão por conta da vacina".
A alegação é baseada em dados obtidos na plataforma vaccine Adverse Event Reporting System (VAers).
O que o Lead aponta e o Fato ou Fake já explicou em checagens anteriores é: qualquer pessoa pode acrescentar informações sobre eventos adversos da vacina no sistema e isso só será analisado mais tarde para saber se existe correlação ou não.
O próprio Vaers deixa claro, em seu site, que é um sistema de relatório passivo, o que significa que depende de indivíduos que podem enviar relatórios de suas experiências ao CDC e à FDA (Food And Drug Administration), equivalente à Anvisa brasileira.
"Qualquer pessoa pode relatar um evento adverso ao Vaers. O Vaers não foi projetado para determinar se uma vacina causou um problema de saúde, mas é especialmente útil para detectar padrões incomuns ou inesperados de notificação de eventos adversos que podem indicar um possível problema de segurança com uma vacina. O Vaers pode fornecer ao CDC e à FDA informações valiosas de que trabalho e avaliação adicionais são necessários para avaliar uma possível preocupação de segurança."
Além disso, de acordo com o site Health Feedback, o economista citado adotou um método errado para fazer o cálculo.
FONTE: G1.