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É FAKE - Reprodução do G1.
Circulam nas redes sociais mensagens que mostram crianças em cartazes distribuídos no metrô de Paris sobre prevenção do Acidente Vascular Cerebral (AVC). Legendas relacionam a campanha e o risco de AVC em crianças às vacinas contra a Covid-19. É #FAKE.
A mensagem falsa completa diz: "Advertência no metrô de Paris sobre AVC em crianças. Uma novidade da era pós vacinas Covid: 'Acidente Vascular Cerebral. Nas crianças os sinais são os mesmos que nos adultos: Paralisia de um lado do corpo, deformidade facial, distúrbios da fala. Cada minuto conta. É talvez um AVC".
O cartaz tem a assinatura da France AVC uma associação para ajudar pacientes e familiares de pacientes com AVC criada em 1998.
Procurada pelo Fato ou Fake, a entidade explica que o cartaz não tem nenhuma relação com a vacina contra a Covid-19. "Realizamos regularmente campanhas de prevenção. Esses pôsteres, portanto, não têm absolutamente nenhuma conexão com as campanhas de vacinação da Covid 19", diz.
A France AVC explica que o cartaz faz parte de uma campanha de cinco cartazes diferentes, que retratam uma jovem, um idoso, uma criança e outro onde só se vê o braço de uma pessoa no chão.
"A campanha publicitária foi realizada pelo France AVC Endowment Fund apenas no âmbito da prevenção do AVC e contou com o apoio de vários parceiros, como laboratórios e Samu de France", esclarece a nota.
Marcos Christiano Lange, presidente da Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares e membro titular da Academia Brasileira de Neurologia esclarece que até o momento não se tem nenhuma informação de pesquisas que demonstrem um aumento de AVC isquêmico em crianças, jovens ou adultos que foram vacinados pelas vacinas que estão sendo utilizadas para prevenção da Covid-19.
Ele explica que o que pode raramente ocorrer é uma trombocitopenia trombocítica imune induzida pela vacina, que é uma trombose venosa cerebral, o entupimento das veias do cérebro e não das artérias. Mas ressalta: "A Covid-19 causa muito mais AVCs de trombose venosa cerebral do que a própria vacina."
Ele diz que esses relatos de trombose venosa cerebral representam de 2% a 5% dos AVCs em adultos. "Ela é bem rara. E essa manifestação pós-vacinal da trombose cerebral por uma trombocitopenia trombótica imune está relacionada com um anticorpo que ataca os receptores. Se a gente usa heparina, que é o que usado em pessoas que têm essa trombose, essa doença é mais agressiva.
A única coisa que a gente tem de informação e que alguns tipos de vacina, por exemplo, a da AstraZeneca, elas aumentam o risco de trombose venosa cerebral em adultos vacinados, porém, a frequência que a vacina aumenta é muito menor, infinitamente menor, do que a doença propriamente dita."
Lange destaca que ainda não há estudos que mostrem que a vacina aumenta o risco de AVC em crianças.
Ele viu o cartaz francês e comentou: "A gente sabe que muitas campanhas são realizadas pra educar a população quanto ao risco de AVC em crianças. A gente sabe que o AVC ele é mais frequente nos idosos acima de 60 anos, mas as crianças também têm um risco maior de AVC independentemente da vacina, independentemente da Covid-19, principalmente devido a doenças cardíacas e doenças genéticas. No adulto qualquer paralisia, qualquer dificuldade para falar, qualquer sintoma neurológico, de início súbito, sugere pra gente um AVC. Na criança não é bem assim. As pessoas não conseguem associar porque a criança parece, entre aspas, não ter AVC, mas ela tem.", diz.
Vacinas contra Covid são seguras, de acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que autorizou a aplicação da vacina da Pfizer contra Covid-19 em crianças de 5 a 11 anos. Também participaram da avaliação feita pela Anvisa especialistas das sociedades brasileiras de Infectologia (SBI), de Imunologia (SBI), de Pediatria (SBP), de Imunizações (SBIm) e de Pneumologia e Tisiologia.
A mesma autorização de
uso já foi concedida pelo FDA e pela EMA (agências regulatórias de saúde dos
Estados Unidos e União Europeia), além de países como Costa Rica, Colômbia,
República Dominicana, Equador, El Salvador, Honduras, Panamá, Peru e Uruguai.
Em outubro, a Pfizer disse que a vacina é segura e mais de 90,7% eficaz na prevenção de Infecções em crianças de 5 a 11 anos.
FONTE: G1.