
Imagem meramente ilustrativa / Reprodução do google.
cebi este texto do Cardeal português Dom José Tolentino
Mendonça que ajuda a compreender o sentido desta, que é, a
mais importante festa do calendário cristão. Ele compara a vida ao pão.
Bela imagem. Transcrevo a seguir, e aproveito para desejar a todos, e a cada
um, uma Páscoa abençoada.
“Todas as vidas cabem na imagem quotidiana do pão que se parte e reparte. As
vidas são coisas semeadas, crescidas, maturadas, ceifadas, trituradas,
amassadas: são como pão. Não apenas degustamos e consumimos o mundo: dentro de
nós vamos percebendo que o tempo também nos consome, nos gasta, nos devora.
Somos uma massa que se quebra, uma espessura que diminui.
“A questão é saber com que sentido e intensidade vivemos este tráfico
inevitável. Todos nos gastamos, certo. Mas em que trocas? Todos sentimos que a
vida se parte. Mas como tornar esse fato trágico numa afirmação fecunda e plena
da própria vida?
“Por isso espantam as palavras de Jesus. Ele
pegou no pão e disse: ‘Tomem e comam, pois este pão é o meu corpo entregue por
vós’. A Eucaristia,
por vezes repetida como mero culto ou rotineiro signo de pertença sociológica
é, na verdade, o lugar vital da decisão sobre o que fazer da vida. Todas as
vidas são pão, mas nem todas são Eucaristia, isto é, oferta radical de si,
entrega, doação, serviço. Todas as vidas chegam ao fim, mas nem todas vão até
ao fim no parto dessa utopia (humana e divina) que trazem inscrita. É destas
coisas que a Semana Santa nos fala.
Recordo-me do conselho, despretensioso, que um Padre do Deserto dava a
quem o interrogava insistentemente sobre os mistérios de Deus: ‘Entra apenas.
Permanece até ao fim. E sai mudado’”.
FONTE: NOTÍCIA AO MINUTO.