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O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) recomendou que a Prefeitura de Solidão, no Sertão do Pajeú, não efetue o pagamento integral do cachê de R$ 150 mil contratado para a apresentação da banda Caviar com Rapadura, que ocorreu no dia 6 durante as festas juninas.
Segundo o órgão, o valor supera em R$ 36.261,82 o limite considerado razoável
com base na média dos cachês cobrados pelo grupo em apresentações realizadas no
mesmo período do ano passado em Pernambuco.
A recomendação foi expedida pelo promotor de
Justiça Mateus de Souza Alves Cavalcanti, da Comarca de Tabira, responsável por
Solidão, e publicada no Diário Oficial do MPPE. O município tem prazo de cinco
dias para informar se acatará ou não a orientação.
De acordo com o Ministério Público, a contratação
da banda foi firmada por R$ 150 mil. Entretanto, levantamento realizado pelo
Centro de Apoio Operacional de Defesa do Patrimônio Público e Terceiro Setor
(CAO Patrimônio) apontou que a média dos 11 contratos celebrados pela mesma
atração entre 1º de maio e 31 de julho de 2025 foi de R$ 109.090,91. Com a
atualização monetária pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo
(IPCA), o valor de referência chegou a R$ 113.738,18.
Na avaliação do MPPE, a diferença de R$ 36.261,82
representa um acréscimo de 24,17% em relação ao parâmetro técnico adotado pelo
órgão, sem justificativa considerada suficiente para o aumento.
A recomendação integra uma estratégia estadual de
acompanhamento dos gastos públicos com contratações artísticas para os festejos
juninos. A iniciativa é baseada na Nota Técnica nº 02/2026 do CAO Patrimônio,
que estabelece critérios de razoabilidade para o custeio de atrações
financiadas com recursos públicos.
Segundo o MPPE, dados dos painéis de transparência
do próprio órgão e do Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE) têm apontado
crescimento expressivo das despesas municipais com cachês artísticos, em
patamares superiores à inflação e, em alguns casos, acima da média histórica
recebida pelos próprios artistas.
Na recomendação, o Ministério Público orienta que a
prefeitura se abstenha de realizar pagamentos acima do valor de referência
calculado para a contratação e também deixe de celebrar novos contratos
artísticos em 2026 com valores superiores aos parâmetros estabelecidos, sem a
apresentação de justificativas técnicas que demonstrem a necessidade do gasto.
O documento destaca ainda que a atuação do MPPE não busca impedir a realização dos festejos juninos, reconhecidos constitucionalmente como patrimônio cultural imaterial do Nordeste, mas garantir que as despesas observem os princípios da legalidade, economicidade, moralidade administrativa e responsabilidade fiscal.
O órgão alerta que o descumprimento da recomendação
ou a ausência de resposta poderão resultar na adoção de novas medidas,
incluindo eventual responsabilização por improbidade administrativa,
comunicação ao Tribunal de Contas do Estado e aplicação de sanções ao gestor
municipal.
O Diário de Pernambuco entrou em contato com a Prefeitura de Solidão e aguarda retorno.
FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO.