Publicada em 20/04/2022 às 07h50.
Mineiro teve que abrir mão da nacionalidade para permanecer na Ucrânia
Fábio Júnior de Oliveira contou que brasileiros foram mandados embora por causa da postura de Bolsonaro na reunião do G-20.


Foto: Acervo pessoal


Os ucranianos que estão em guerra com a Rússia estão hostilizando brasileiros por causa do presidente Jair Bolsonaro. Um exemplo disso foi a expulsão de nove brasileiros, inclusive uma médica, do grupo da Legião Internacional de Defesa Territorial da Ucrânia, uma unidade militar formada por estrangeiros que queiram combater os russos no país. O mineiro de Passos Fábio Júnior de Oliveira, de 42 anos, contou que os brasileiros foram mandados embora no sábado por causa da postura de Bolsonaro na reunião do G-20.


Fábio conta que o grupo tem somente estrangeiros e que a situação ficou complicada para os brasileiros. “Nós chegamos a ser dispensados, mas aí eu pedi para falar com o oficial e disse para ele que Bolsonaro não nos representa, que viemos para lutar e chegamos ao extremo de dizer que renunciaríamos à nossa cidadania. Aí, ele aceitou que cinco ficassem”, comentou. "No momento, muitas pessoas estão na frente de batalha, brasileiros inclusive, e não sabemos onde eles estão."


Fábio está em um treinamento que dura 20 dias. Ele chegou à Ucrânia na sexta-feira (15). “Eu vi muitos brasileiros das regiões Sul e Sudeste, de todos os estados, só não vi ainda de Santa Catarina. Fica difícil dizer onde e quantos são; tem gente em Mauriupol, em Kiev, lutando”, conta.


“Nove brasileiros foram expulsos no sábado; sei o nome de apenas um, que é Wellington. O motivo foi a política externa a toque de caixa de Bolsonaro e, aqui pra nós, nós escutamos com todas as letras - 'Seu presidente é aliado da Rússia'”, contou. "Os que foram embora não tiveram essa posição de abandonar a nacionalidade. Mesmo sabendo que não posso ficar sem nacionalidade, foi o argumento que eu encontrei. E eu já havia dado entrevista chamando o Bolsonaro de 'cachorrinho do Putin'”, disse.


"No dia em que Bolsonaro falou, no Brasil, que iria defender o diálogo com Putin é que os nove voluntários foram mandados embora. “Eu falei pelos brasileiros, falei por todos, fui firme e demonstrei que estamos aqui para ajudar, para lutar, independentemente da posição do presidente", finalizou.



FONTE: DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR

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