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Guardas municipais fecharam ruas em Porto de Galinhas, onde ocorre reprodução simulada da morte de criança de 6 anos — Foto: Reprodução/TV Globo
Mais de quarenta dias após o assassinato de uma criança de 6 anos, em um a ação da Polícia Militar, em Porto de Galinhas, em Ipojuca, no Grande Recife, a Polícia Civil realiza, nesta quinta (12), uma reprodução simulada do caso. Com esse procedimento, os peritos do Instituto de Criminalística (IC) pretendem esclarecer de onde partiu o tiro que matou Heloysa Gabrielly.
A menina morreu no dia 30 de março deste ano, na frente da casa da avó, quando estava brincando. No momento do disparo, o Batalhão de Operações Especiais (Bope) realizava uma operação na comunidade de Salinas.
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Heloysa Gabrielly, de 6 anos, foi morta no terraço de casa durante investida da PM — Foto: Reprodução/WhatsApp
Desde o dia da morte, os moradores afirmam que a polícia “chegou atirando”. O governo sustenta a versão de que houve “um tiroteio” com suspeitos de tráfico de drogas. Até agora, ninguém foi preso.
A Reprodução simulada do caso Heloysa começou às 5h desta quinta, em Salinas. Havia a expectativa de participação dos PMs do Bope envolvidos na operação.
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Policiais participam de reprodução simulada em Porto de Galinhas para tentar saber de onde partiu tiro que matou criança — Foto: Reprodução/TV Globo
No entanto, a Polícia Civil disse que não informaria quem foi convocado para integrar a equipe que atuou na reprodução.
Por causa do procedimento, ruas foram interditadas nas entradas da comunidade de Salinas. Guardas Municipais de Ipojuca controlam o trânsito, perto do giradouro de Porto de Galinhas, que leva até a estrada de Maracaípe.
Também havia a expectativa de os peritos do IC usassem drones, scanner 3d e outros equipamentos de tecnologia de ponta para ajudar na ação. Laudos periciais teriam sido entregues à polícia civil, mas ainda não ficou claro quem efetuou o disparo.
A reprodução simulada ocorre um dia depois de uma audiência pública realizada na Câmara Municipal de Ipojuca, na quarta (11), para debater denúncias de violações de direitos humanos em comunidades do município (veja vídeo acima).
Durante essa audiência, 13 entidades da sociedade civil organizada divulgaram um dossiê sobre o caso Heloysa.
No documento, constam depoimentos que tratam de intimidações, perseguições e ameaças contra os familiares da criança e de outros moradores de Salinas.
O dossiê descreve que, em 1º de abril, houve uma visita técnica a pedido da família de Heloysa para averiguação de denúncias e acompanhamento de um ato público.
O documento diz que o atendimento precisou ser interrompido “diante da utilização ostensiva e helicópteros armados, sobrevoando a residência da família, a menos de 10 metros”.
O texto também diz que os familiares relataram a "presença constante de batalhões policiais" na frente da casa e até entrada no imóvel "sem permissão com indicação de intimidação e silenciamento, inclusive durante a realização do velório de Heloysa Gabrielly".
As entidades afirmam que uma das últimas situações de ameaça concreta foi registrada no dia 4 de abril, quando "15 a 20 policiais militares estiveram novamente na casa da vítima, no horário da noite", alegando que estariam realizando uma “investigação independente da investigação da Polícia Civil e tentaram levar a avó de Heloysa para depor”.
Para as entidades, a situação "impede o prosseguimento da investigação independente do assassinato de Heloysa" e "abre brecha e amplia a autonomia da polícia para o cometimento de abusos generalizados, sem controle externo, sem fiscalização, em abordagens discriminatórias contra os moradores destas comunidades".
Na audiência pública, o pai de Heloysa, Wendel Fernandes, falou como tem passado os dias sem a filha. Ele disse que “está sendo difícil” enfrentar a perda da criança e pediu justiça.
Governo
Por meio de nota, a Corregedoria-Geral da SDS disse que "recebeu essa denúncias [de violação de direitos] e enviou uma equipe do Grupamento Tático de Ações Correcionais (GTAC) para colher os depoimentos das vítimas em Porto de Galinhas".
Ainda de acordo com o governo, uma Investigação Preliminar (IP) foi aberta em paralelo para confirmar a autoria e reunir os indícios de materialidade. "Demais esclarecimentos serão dados com a conclusão dos trabalhos", acrescentou.
A SDS disse também que novas denúncias devem ser feitas à Corregedoria "para a devida apuração". Isso pode ser feito na sede do órgão, na Conde da Boa Vista; pelo telefone (81) 3184.2714; ou diretamente ao servidor da Corregedoria de plantão no Centro Municipal de Defesa Social de Ipojuca.
Um número telefônico foi disponibilizado para líderes comunitários de Salinas, "de modo a facilitar a comunicação e denúncias", de acordo com a SDS. Existe ainda o telefone gratuito da Ouvidoria: 0800 081 5001.
Repercussão
A morte da criança provou comoção e revolta. Protestos foram realizados e o comércio de Porto, uma das praias mais famosas do país, fechou as portas (veja vídeo abaixo).
Os policiais envolvidos na ação foram retirados do patrulhamento de Ipojuca, embora os pais da menina tenham pedido ao governador o afastamento deles das ruas.
FONTE: G1.GLOBO.COM/PE