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Plantações inteiras foram levadas pela água das chuvas em Pernambuco — Foto: Reprodução/TV Globo
As chuvas fortes que atingiram o Grande Recife e a Zona da Mata de Pernambuco provocaram 127 mortes e também afetaram a cultura da cana-de-açúcar e as usinas de açúcar e álcool. Plantações inteiras foram levadas pela água, que danificou estadas. Foram afetados, ainda, os agricultores que cultivam frutas, legumes e hortaliças.
Esta é a época de preparar a plantação de cana para a colheita, que começa em setembro. De acordo com o Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar), mais de oito mil produtores e 200 mil trabalhadores vivem do plantio no estado.
O impacto foi sentido por parte das 13 usinas que ajudam a fazer do Brasil o principal produtor de açúcar e o segundo maior produtor de etanol do mundo, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
O Sindaçúcar e a Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco ainda não conseguiram quantificar os prejuízos, mas eles não foram pequenos.
De acordo com o gerente agrícola da Cooperativa do Agronegócio dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (Coaf), Geraldo Barros, os prejuízos são de aproximadamente R$ 360 mil só com a plantação. Fora os equipamentos.
“A gente contabiliza aproximadamente 30 hectares de prejuízo com relação a essas últimas águas. Plantas que vocês estão vendo que foram plantadas recentemente vamos ter de replantar ao custo de R$ 12 mil por hectare", disse.
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O Rio Cruangi transbordou e águas invadiram a Usina Coaf — Foto: Reprodução/TV Globo
No município de Timbaúba, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, foi uma correria para retirar os caminhões após o Rio Cruangi transbordar. A água encobriu a ponte e alagou o pátio da Coaf.
Não deu para evitar que grandes máquinas fossem afetadas. E há três meses foi preciso usar água de carros pipa para concluir a última moagem.
"Molhou muito os motores. São cerca de 185 equipamentos que já tinham passado por revisões. As máquinas de soldas, que normalmente ficam no piso, foram todas encharcadas”, afirmou o gerente-geral da Coaf, Rudimar Gonçalves.
Agora, todo o esforço é para recuperar os equipamentos que escaparam e esperar que os transtornos sejam amenizados pela esperança de uma moagem garantida pela água retida nas barragens.
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Usina Coaf ficou alagada em Pernambuco após chuvas — Foto: Reprodução/TV Globo
Legumes e hortaliças
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Agricultor salvou um único cacho de bananas que sobrou da sua plantação — Foto: Reprodução/TV Globo
No assentamento onde 65 famílias cultivam frutas, legumes e hortaliças, não há com o que contar. A ponte é precária, mas liga um lado ao outro da plantação. A água subiu e o que devia ser solo fértil virou lama.
“Nunca tinha visto uma coisa dessa no assentamento. É ruim, né? Porque tudo que a gente tem aqui construído é com nosso próprio esforço. Assim, o pouco que a gente tem investe aqui na terra, na plantação. E a gente fica assim, sem ação, sem saber de onde vai começar de novo” afirmou o presidente da Associação dos Agricultores, Lene da Silva.
O agricultor Jorge Francisco da Silva salvou um único cacho de bananas. "Eu não tive mais prejuízo porque não plantei milho aqui, plantei lá em cima”, disse.
O agricultor Davi Lins da Silva plantou o milho que colheria em breve, de olho nas festas juninas. Não salvou nada das 15 mil espigas do milharal e ainda perdeu a produção de 800 pés de goiaba e 400 pés de mamão. "Para mim, a solução é começar tudo de novo", declarou.
Maior tragédia do século 21
A tragédia provocada pelas chuvas já é a maior do século 21 em Pernambuco. Até às 17h desta quinta, 127 mortes tinham sido confirmadas no estado. Uma mulher continua desaparecida em Camaragibe, no Grande Recife, e o número de desabrigados subiu para 9.302. Até a tarde desta quinta, 31 municípios tinham decretado situação de emergência em Pernambuco
FONTE: G1.GLOBO.COM/PE