Publicada em 22/09/2022 às 10h29.
Polícia Civil denuncia fraude no Detran de SP; entenda como funcionava esquema
Entre os detidos estão o diretor-técnico do setor de veículos do órgão, um soldado da Polícia Militar e três donos de despachantes.

Imagem meramente ilustrativa / Reprodução: Notícias ao Minuto.


Investigações iniciadas pela Polícia Civil em abril do ano passado identificaram suspeitos, presos nesta quarta-feira (21) na capital paulista, de entrar no sistema do Detran (Departamento Estadual de Trânsito), usando senhas clonadas, para desbloquear a venda de veículos, além de facilitar a emissão fraudulenta de CNHs (carteiras de habilitação).


Entre os detidos estão o diretor-técnico do setor de veículos do órgão, um soldado da Polícia Militar e três donos de despachantes. A defesa deles não havia dado declarações à polícia até a publicação deste texto.


Outro funcionário do Detran também é investigado de envolvimento no caso. Ele não foi alvo dos mandados de prisão.


De acordo com as investigações policiais, a quadrilha investigada conseguia liberar a venda de veículos com problemas judiciais -que burocratizavam suas comunicações de venda. Mesmo carros de proprietários mortos entravam no esquema.


Para isso, o bando clonava senhas de funcionários do Detran para ter acesso ao sistema. Uma vez dentro, os criminosos, segundo a investigação, incluíam dados falsos e alteravam as informações oficiais para que os veículos não constassem mais como bloqueados. A estratégia era usada para dificultar a identificação dos investigados.


De abril de 2021, quando as investigações começaram, até o momento, a Polícia Civil identificou ao menos 1.200 transações do tipo, que teriam gerado R$ 2,4 milhões de lucro ao bando.


O bando também conseguia emitir carteiras de habilitação sem que o motorista fizesse qualquer aula teórica ou prática. O valor deste serviço, ainda de acordo com as investigações, era de R$ 7.000.


Segundo a polícia, o PM preso era responsável por indicar aos clientes interessados na fraude os despachantes envolvidos no esquema.

Conversas telefônicas interceptadas com autorização judicial apontam que o cliente tinha que comparecer ao menos uma vez, presencialmente, ao Detran. Lá, era feita uma reprodução da digital do condutor com cola quente.


Com este material, outras pessoas compareciam às aulas no lugar do contratante. A polícia ainda levanta quantos motoristas foram beneficiados pelo esquema. Além da emissão de CNH, a fraude também envolvia cursos de capacitação de condutores.


O bando atuava em todo o estado de São Paulo e em outros 17 estados, de acordo com a Divisão de Capturas do Dope (Departamento de Operações Policiais Estratégicas). As investigações continuam para identificar mais suspeitos, além do total de infrações e do dinheiro conseguido ilegalmente com o esquema.


Somente na casa do diretor preso nesta quarta, a polícia apreendeu R$ 100 mil em dinheiro, além de R$ 500 mil em cheques.


A Polícia Militar foi questionada sobre medidas tomadas contra o soldado preso, mas não havia se manifestado até a publicação desta reportagem.

O caso também é acompanhado pela Controladoria Geral do Estado e pela Corregedoria da PM.


Em nota, o Detran de São Paulo diz que colabora com as investigações. Diz ainda que realizou neste ano 2.300 fiscalizações e 12 operações conjuntas com as forças de segurança do Estado para combater ocorrências de delitos, fraudes e corrupção. "Seguimos trabalhando para coibir práticas indevidas e prestar serviços de qualidade à população", diz o órgão.


FONTE: NOTÍCIAS AO MINUTO.


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