Publicada em 14/11/2017 às 07h23.
Para acusar precisa ter provas e isso ainda não foi visto, diz Paulo Câmara após operação da PF
'Se falar de superfaturamento, tem que mostrar onde está o superfaturamento, eu quero ver onde está', disse o governador nesta manhã.

O governador falou sobre a Operação Torrentes / Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem

O governador falou sobre a Operação Torrentes
Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem

O governador Paulo Câmara (PSB) falou pela primeira vez, nesta segunda-feira (13), sobre a Operação Torrentes, deflagrada pela Polícia Federal na última semana para investigar supostas fraudes de recursos federais destinados a ações de reconstrução de cidades pernambucanas atingidas por enchentes, neste ano e em 2010. Para o socialista, as provas ainda não foram apresentadas.


De acordo com o governador, as peças acusatórias que estão sendo analisadas pelo governo não mostram onde há superfaturamento. "Se falar de superfaturamento, tem que mostrar onde está o superfaturamento, eu quero ver onde está. Se tiver vou ser o primeiro a punir, mas as peças que nós vimos não mostram claramente. Há nessa investigação um olhar sobre um grupo de empresas que poderiam ter sido favorecidas por servidores públicos e isso precisa ser apurado, mandei olhar todos os contratos, não vou admitir erro em nenhum deles. Agora, eu tenho clareza que acusar precisa ter provas, precisa estar no inquérito, estar na denúncia e isso, infelizmente, não foi visto ainda", disse Paulo Câmara durante aula inaugural do Curso de Formação e Habilitação de Praças Bombeiro Militar (CFHP BM), no Centro de Convenções.

 

OPERAÇÃO TORRENTES

A Polícia Federal investiga fraudes que podem chegar a até 30% em contratos que totalizam R$ 450 milhões para compra de comida, colchões, filtros de água e lonas de proteção para flagelados das cheias na Zona da Mata Sul do estado. Os 260 agentes da PF, de 10 estados, realizaram buscas, na última quinta-feira, nos prédios da Casa Militar do governo pernambucano, onde atuavam os PMs detidos, e da Vice-Governadoria, no Recife. Houve operação também no Centro de Abastecimento de Pernambuco (Ceasa), Coordenadoria de Defesa Civil (Codecipe), bem como em imóveis no Recife e em Olinda. A Polícia Federal cumpriu 15 mandados de prisão temporária, 21 mandados de condução coercitiva e 36 mandados de busca e apreensão.


No dia da operação, o governo lançou nota classificando a operação como "processo de espetacularização negativa das atividades de controle da atuação pública" e disse ser desproporcional a operação realizada no Gabinete do chefe da Casa Militar, no Palácio do Campo das Princesas. Nessa segunda, Paulo Câmara declarou que não pode achar a ação algo "normal". "O inquérito mostra que todos os prédios onde funcionam a Defesa Civil, onde estão documentos não ficam no Palácio do Governo, ficam em outros prédios. Mas o Judiciário determinou busca e apreensão no gabinete do secretário, que funciona no prédio do Palácio, temos que respeitar isso, mas não podemos achar que é normal", comentou.


Confira trecho da fala do governador:


 

Por fim, o governador ainda afirmou que não vai admitir que primeiro se julgue, para depois se investigar. "Estamos estudando o inquérito e é importante que todo mundo tenha conhecimento, pois uma coisa é o que se diz, outra é o que está escrito. Eu quero a verdade como todos os pernambucanos querem, prezo muito pela transparência, prezo pela coisa bem feita, pela boa aplicação dos recursos públicos e não vou admitir que denúncias como esta não sejam primeiro investigadas e punidas caso haja. Mas não vamos admitir que denúncias, da forma que estão sendo feitas no Brasil quando primeiro se julga, depois se investiga, possam ser a tônica do meu governo, que é muito sério, transparente e trabalha muito em benefício da população pernambucana", disse Paulo Câmara.


Enchentes

Com a Operação Reconstrução, o governo do estado implantou a Barragem de Serro Azul, apenas uma das cinco barragens de contenção que fariam o cinturão que impediriam as enchentes principalmente durante as chuvas de inverno. As outras quatro barragens: Panelas II, Gatos, Bara de Guabiraba e Igarapeba, não foram concluídas. Em 2017 voltaram à fase de projetos, por conta da paralisação das obras. Ao todo, foram 12.131 mil casas entregues do total de 14.136 destruídas, 71 pontes recuperadas das 142 danificadas, além de 29 escolas.


 

JC Online
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