Publicada em 07/08/2023 às 08h43.
Boa parte do público já havia participado da vigília na noite anterior, também comandada pelo pontífice, e pernoitou no local: um parque à beira do rio Tejo, com área equivalente à de 100 campos de futebol.

Papa Francisco / Reprodução: Notícias ao Minuto.
Último grande evento da Jornada Mundial da Juventude
(JMJ) em Lisboa, a missa celebrada pelo papa Francisco reuniu 1,5 milhão de
pessoas na manhã deste domingo (6), de acordo com a Santa Sé.
Boa parte do público já havia participado da vigília na
noite anterior, também comandada pelo pontífice, e pernoitou no local: um
parque à beira do rio Tejo, com área equivalente à de 100 campos de futebol.
A celebração de despedida teve ainda o anúncio da próxima cidade a sediar a
JMJ. Seul, na Coreia do Sul, receberá o evento, considerado o maior encontro
internacional da Igreja Católica, em 2027.
"Desde a fronteira ocidental da Europa, [a JMJ] vai
deslocar-se para o extremo Oriente, em 2027, bonito sinal da universalidade da
Igreja", disse Francisco.
Segundo especialistas, a escolha da capital coreana
mostra um desejo do Vaticano de se expandir de maneira mais consistente na
Ásia. Será a segunda vez que o continente recebe a JMJ, que em 1995 foi
realizada em Manila, nas Filipinas.
A missa final em Lisboa foi celebrada pelo papa Francisco
em português, mas o discurso da homilia foi feito em espanhol. Em sua fala, o
pontífice defendeu a necessidade de amar o próximo.
"Amar o próximo como é, não apenas quando está em sintonia conosco, mas
também quando nos é antipático e apresenta aspectos de que não gostamos",
afirmou.
Francisco também pediu várias vezes que os jovens tenham
coragem diante dos desafios da vida. "A vós, jovens, que cultivais sonhos
grandes mas frequentemente ofuscados pelo medo de não os ver realizados; a vós,
jovens, que às vezes pensais que não ides conseguir; a vós, jovens, tentados
neste tempo a desanimar, a julgar-vos inadequados ou a esconder a vossa dor
disfarçando-a com um sorriso () Jesus diz: 'Não tenhais medo'", afirmou.
Antes de terminar a celebração, o pontífice, que em seu
primeiro dia em Portugal já havia criticado a falta de esforços da Europa para
encerrar a Guerra da Ucrânia, repetiu o apelo pela paz.
"Amigos, permiti a mim, idoso, partilhar convosco, jovens, um sonho que
trago cá dentro. O sonho da paz, o sonho de jovens que rezam pela paz, vivem em
paz e constroem um futuro de paz." O argentino manifestou "dor e
tristeza pela querida Ucrânia, que continua a sofrer".
Com dificuldades para caminhar, o papa de 86 anos usou
uma cadeira de rodas nos momentos em que precisou se locomover pelo palco.
Além dos peregrinos vindos de todo o mundo -esta edição
da JMJ bateu o recorde de nacionalidades, com representantes de todos os
países, com exceção das Maldivas-, a missa contou ainda com um grande
contingente de membros do clero: cerca de 10 mil sacerdotes, 700 bispos e 30
cardeais.
Em uma espécie de setor VIP da missa, diversos políticos
de Portugal -onde 80,2% da população se declarou católica no último censo, em
2021- assistiram à celebração.
Entre os presentes estava o presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, que
acompanhou praticamente toda a agenda do papa no país. Católico praticante, o
chefe de Estado recebeu um agradecimento de Francisco durante os momentos
finais da missa.
O ato litúrgico aconteceu em um dos focos de maior
polêmica da Jornada Mundial da Juventude: um altar-palco construído com
recursos públicos. Em fevereiro, após a divulgação dos custos, o orçamento para
a plataforma acabou reduzido de € 4,2 milhões (R$ 22,5 milhões) para € 2,9
milhões (R$ 15,5 milhões), pagos pela Câmara Municipal de Lisboa (equivalente à
Prefeitura).
Há dez dias, o artista plástico português Bordalo II
realizou um protesto no local, instalando uma espécie de "tapete de
dinheiro", formado por reproduções de notas de € 500. Batizada de
"Walk of Shame" (caminhada da vergonha, em tradução literal), a obra
criticava o dinheiro público no encontro católico.
O gasto público total na JMJ ainda não foi contabilizado. O governo federal
previu um investimento de € 36 milhões (R$ 187,9 milhões), enquanto a Câmara de
Lisboa afirmou que gastaria no máximo outros € 35 milhões (R$ 182,7 milhões).
Quando Francisco foi ao Brasil em 2013, também para uma
edição da JMJ, logo após ter sido eleito pontífice, o custo total estimado
pelos organizadores à época foi entre R$ 320 milhões e R$ 350 milhões, com ao
menos R$ 109 milhões em recursos públicos.
A principal justificativa para o investimento do Estado é
o legado das estruturas para a cidade, além da movimentação econômica
proporcionada pela enxurrada de peregrinos.
Esta edição da jornada foi também bastante marcada pela questão dos abusos
sexuais. Em fevereiro, uma comissão independente que investigou os casos
publicou um relatório revelando que pelo menos 4.815 menores foram vítimas de
membros da Igreja Católica em Portugal desde 1950. Mais de 70% dos abusadores
eram padres.
Na última terça-feira (2), Francisco se reuniu de forma
reservada com 13 vítimas de abusos praticados por integrantes da igreja no
país. O grupo foi acompanhado por representantes de órgãos da igreja
responsáveis pela proteção dos menores.
Antes de regressar ao Vaticano no fim da tarde deste
domingo, Francisco terá um encontro com os voluntários da JMJ.
FONTE: NOTÍCIAS AO MINUTO.
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