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Um percentual grande da nossa
população jovem está saindo da escola condenada a passar a vida toda como
analfabetos funcionais. A pandemia justifica uma parte desse problema, já que
as escolas ficaram fechadas por dois anos e atrapalhou o aprendizado, mas não é
isso", avalia Ana.
Para ela, só garantir o acesso
dos jovens à educação não é suficiente, mas é preciso que o país invista de
fato na oferta de um ensino de qualidade e significativo. "Muitos jovens
na periferia enxergam a escola como algo que atrapalha a vida deles, como algo
sem sentido."
Ana também destaca que os
dados mostram a importância de o país investir na ampliação da EJA (Educação de
Jovens e Adultos), que vive nos últimos anos um processo de esvaziamento. Ela
avalia ainda a importância de se repensar a oferta dessa modalidade, a
qualificando para as demandas atuais.
"Há alguns anos, se
associava à EJA como a educação voltada para a alfabetização de adultos. Nosso
problema é que agora não temos só apenas aquele idoso que não aprendeu a ler e
escrever porque teve que trabalhar na roça quando era criança, agora a gente
tem jovens de 16 ou 17 anos saindo da escola sem ser plenamente
alfabetizado."
ALFABETIZAÇÃO NO CONTEXTO
DIGITAL
Pela primeira vez, o Inaf
também avaliou a inclusão do alfabetismo da população no contexto digital. De
uma maneira geral, os dados indicam que 25% dos brasileiros com idade entre 15
e 64 anos têm baixo desempenho em atividades digitais.
Essa proporção, no entanto,
aumenta conforme o menor grau de alfabetismo que possuem. Os dados mostram que
40% dos alfabetizados proficientes apresentaram médio ou baixo desempenho em
tarefas digitais e 95% dos analfabetos tem um desempenho baixo.
Para avaliar as habilidades
digitais, o estudo pediu aos entrevistados que realizassem tarefas corriqueiras
usando um celular. Em uma delas, eles precisavam fazer uma compra e pagar via
pix. Em outra, eles precisavam fazer um cadastro em um site.
"A grande constatação é que, quanto mais frágil é o alfabetismo tradicional, mais aquela pessoa fica vulnerável no ambiente digital. Incluímos a avaliação do alfabetismo no contexto digital porque cada vez mais as pessoas estão sendo obrigadas a entrar para esse mundo e, se não dominam essas habilidades, acabam até mesmo por perder direitos básicos."
FONTE: NOTÍCIAS AO MINUTO.