Publicada em 18/08/2025 às 09h04.
Ex-funcionários revelam rotina na mansão onde Hytalo Santos morava com adolescentes
Jovens eram tratados como propriedade do influenciador, que decidia quando podiam comer, dormir e até usar o celular

Foto: Divulgação.       


 Reportagem publicada pelo Fantástico, da TV Globo, neste domingo, 17, mostrou que uma investigação do Ministério Público do Trabalho da Paraíba e da Polícia Civil trouxe novos depoimentos sobre os bastidores da vida do influenciador Hytalo Santos e do marido, Israel Nata Vicente.

Ambos foram presos em São Paulo na sexta-feira, 15, acusados de tráfico de pessoas e exploração sexual de adolescentes. A defesa do casal afirma que ambos são inocentes e "sempre se colocaram à disposição das autoridades". Consideram também que a decisão de prisão é uma medida "extrema".

Segundo ex-funcionários ouvidos sob anonimato, os jovens eram tratados como propriedade do influenciador, que decidia quando podiam comer, dormir e até usar o celular.

 

"Presenciei muita festa, bebida, e a bebida era à vontade para todo mundo. Todos bebiam, sem restrição", revelou um ex-funcionário.

Hytalo e o marido são investigados pelo Ministério Público da Paraíba pela suspeita de explorar menores de idade nas redes sociais por meio de vídeos virais que mostram menores de forma sexualizada, seminuas e ingerindo bebidas alcoólicas em festas.

"Inclusive já teve filmagens que ele fez para postar na rede social, que as crianças estavam indo para a escola e, após desligar as câmeras, elas não iam para a escola. Ou, se acontecesse de eles irem para a escola e surgir alguma agenda ou algo que precisasse de um deles, eles iriam lá simplesmente para pegar a criança", disse um dos ex-funcionários ao Fantástico.

De acordo com a denúncia do Ministério Público, o influencer pagava às famílias dos adolescentes cerca de três salários mínimos para abrigá-los em sua casa. Os menores, sob a tutela de Hytalo, eram chamados de "cria" pelo influenciador.

Ainda segundo o MP, o influencer apreendia os celulares das vítimas para garantir que apenas o seu perfil nas redes sociais fizesse postagens, estratégia que concentrava a audiência em suas plataformas.

Pelo Código Penal brasileiro, caracteriza-se como tráfico de pessoas quando a vítima é aliciada, comprada ou acolhida por outra pessoa, com propósitos que podem incluir remoção de órgãos, servidão, submissão a trabalho análogo à escravidão, adoção ilegal ou exploração sexual.

Denúncia feita por Felca


O tema da adultização entre crianças e adolescentes nas redes sociais ganhou força depois que o influenciador digital Felca publicou, no último dia 6, um vídeo com denúncias após observar o crescimento desse tipo de conteúdo nas redes sociais - um assunto, segundo ele, "pouco falado por quem tem alcance".

Felca tem expressiva presença nas redes sociais, contando atualmente com 17,7 milhões de seguidores no Instagram, 8,45 milhões no YouTube e 870 mil na rede X (ex-Twitter).

Após a publicação do vídeo, o assunto também entrou em discussão entre parlamentares e autoridades, que, pressionados a reagir diante de um tema tão importante, prometem definir com urgência uma proposta de regulamentação das redes sociais.

Em 50 minutos, o youtuber mostrou na prática como o algoritmo funciona para entregar conteúdos com menores para pedófilos e entrevistou uma psicóloga especializada para falar sobre o perigo da exposição nas redes sociais para as crianças e adolescentes. O vídeo tem mais de 43 milhões de visualizações.

As denúncias apresentadas por Felca apontaram que o influenciador Hytalo dos Santos sexualiza os conteúdos envolvendo os menores, publicados nas redes, além de manter uma convivência apontada como imprópria com os adolescentes em sua casa.



FONTE: NOTÍCIAS AO MINUTO.




 



  

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