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A
pesquisa “Percepções sobre Mudanças Climáticas no Brasil”, realizada pelo
Instituto Clima e Sociedade (iCS) em parceria com a Ipsos e o Ipec, mostra que
86% dos moradores do Nordeste concordam totalmente ou em parte que as mudanças
climáticas são uma ameaça real à vida. O levantamento foi divulgado na
terça-feira (11).
A
nível nacional, 89% dos brasileiros concordam totalmente ou em parte que as
mudanças climáticas são uma ameaça à vida. No Norte são 89%, no Sudeste 86%, no
Sul 91% e no Centro-Oeste 86%.
O
estudo aponta que 62% dos habitantes da região acham que o setor mais afetado
com as mudanças climáticas é o da saúde (62%), seguida da alimentação (9%),
emprego e renda (9%), moradia, (5%), educação (5%), transporte e mobilidade
(1%). Nesta região 576 pessoas foram entrevistadas.
O
levantamento, conduzido entre 8 e 14 de outubro de 2025 com 2.480 entrevistas
presenciais em todo o país, revela que a população nordestina sente o impacto
das mudanças no clima de forma intensa.
No
conjunto dos entrevistados do Nordeste, a maioria concorda que as mudanças
climáticas são uma ameaça crescente, e grande parte já percebe alterações no
clima cotidiano, como aumento da temperatura, chuvas irregulares, estiagens
prolongadas e eventos extremos mais frequentes.
Quando
questionados sobre o sentimento despertado pelo tema, prevalecem palavras como
preocupação (53%) e medo (16%). Essa apreensão é reforçada por experiências
diretas, uma vez que nordestinos afirmam já ter sido impactados por algum
evento climático extremo, especialmente secas e falta d’água.
O
levantamento também mostra que o Nordeste é a região que mais associa as
mudanças climáticas à desigualdade social. A maioria dos entrevistados, 92%,
concorda que as populações mais pobres e periféricas são as mais atingidas,
percepção que se reflete em cidades de Pernambuco, Bahia, Ceará e Alagoas, onde
os efeitos da estiagem ou das chuvas intensas recaem de forma desproporcional
sobre famílias com menos recursos.
Por
outro lado, apenas cerca de 30% dos brasileiros afirmam saber o que fazer em
caso de desastres climáticos, e no Nordeste essa proporção é ainda menor. Mais
da metade dos moradores da região nunca ouviu falar do termo “adaptação
climática", que consiste no ajuste aos efeitos do clima atual e esperado.
A adaptação procura moderar ou evitar danos e explorar oportunidades benéficas.
Entre
as dificuldades para se preparar, dois obstáculos se destacam, sendo eles a
falta de informação clara sobre como agir e a falta de dinheiro.
Essa
combinação é particularmente crítica no Nordeste, onde o custo da
vulnerabilidade é alto e as condições socioeconômicas dificultam a
implementação de medidas de proteção.
A pesquisa revela também que a população nordestina valoriza a Caatinga como bioma prioritário. Ainda assim, o cuidado ambiental tende a se expressar mais em atitudes individuais do que em ação política ou cobrança institucional. Entre as práticas mais adotadas, destacam-se a redução do consumo de energia elétrica e a separação do lixo para reciclagem, medidas que, embora relevantes, mostram que o engajamento climático ainda está mais restrito à esfera doméstica.
FONTE: AGÊNCIA BRASIL.