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O Brasil participa nesta
segunda-feira (5) da reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações
Unidas, convocada a pedido da Colômbia, para discutir a escalada da crise na
Venezuela após a operação militar dos Estados Unidos. Nenhum dos dois países, Brasil
e Colômbia, ocupa atualmente assento permanente ou rotativo no órgão. Enquanto
isso, hoje, países membros da Comunidade de Estados Latino-Americanos e
Caribenhos (CELAC) se reuniram de forma virtual, com a participação de
ministros, para avaliar os desdobramentos do ataque norte-americano em
território venezuelano.
No documento, os governos
manifestam repúdio às ações militares unilaterais realizadas pelos Estados
Unidos, classificando-as como uma violação aos princípios fundamentais da Carta
das Nações Unidas, especialmente a soberania, a integridade territorial e a
proibição do uso da força.
O texto alerta ainda que a
ofensiva representa um precedente perigoso para a paz e a segurança regional e
coloca a população civil em risco.
A nota evita citar
nominalmente Nicolás Maduro, reflexo da falta de consenso internacional sobre o
regime venezuelano. Maduro foi capturado na madrugada de sábado, em Caracas,
durante a operação americana, junto com a esposa, e levado aos Estados Unidos
para ser julgado por acusações de narcotráfico. O presidente Donald Trump
afirma que Maduro comandava o chamado Cartel de los Soles.
Apesar das acusações, há consenso na comunidade internacional de que o interesse estratégico dos Estados Unidos está ligado ao petróleo venezuelano.
Em declaração à imprensa neste
sábado, Trump afirmou que os EUA vão governar a Venezuela até que haja uma
transição política e que o petróleo do país “voltará a fluir”, com petroleiras
americanas à frente da produção e da infraestrutura.
O governo brasileiro avalia
que a Venezuela não deve se render à pressão americana e considera que ficou
claro que a ofensiva tem motivação econômica. O presidente Lula orientou seus
ministros a adotarem um posicionamento crítico à operação dos Estados Unidos, linha
que será defendida pelo Brasil na reunião do Conselho de Segurança da ONU.
O governo brasileiro
reconheceu ainda no sábado, após a segunda reunião entre Lula e ministros,
Delcy Rodríguez como presidente interina da Venezuela, levando em conta o apoio
interno demonstrado após a reunião do Conselho Venezuelano realizada após o
ataque.
Em pronunciamento, Delcy
Rodríguez afirmou que o país “nunca será colônia de outro” e declarou que a
Venezuela vai se defender de uma intervenção americana, pedindo resistência dos
ministros e da população.
Na nota divulgada, os países também reforçam que a crise venezuelana deve ser resolvida exclusivamente por meios pacíficos, por meio do diálogo e da negociação, sem interferência externa. O texto reafirma a América Latina e o Caribe como zona de paz e expressa preocupação com qualquer tentativa de controle externo de recursos naturais, classificando essa prática como incompatível com o direito internacional.
FONTE: AGÊNCIA BRASIL.