
Foto: Divulgação.
O Sindicato dos Policiais
Civis de Pernambuco (Sinpol-PE) criticou duramente a denúncia de suposta
espionagem política envolvendo a Polícia Civil do Estado, revelada em
reportagem exibida no último domingo (25) pelo programa Domingo Espetacular, da
TV Record. O caso veio à tona em meio às mobilizações da categoria por
valorização profissional e melhores condições de trabalho.
Segundo a reportagem,
policiais teriam monitorado, entre agosto e outubro de 2025, a rotina do
secretário de Administração do Recife, Gustavo Monteiro, e de seu irmão, sem a
existência de inquérito policial instaurado. A denúncia aponta ainda o uso de
campanas, rastreador veicular e sistemas restritos de reconhecimento facial.
Para o presidente do
Sinpol-PE, Áureo Cisneiros, o episódio é grave e ameaça a imagem institucional
da Polícia Civil.
“A Polícia Civil é uma
instituição de Estado, não de governo. Governo passa, a Polícia Civil fica.
Usar a polícia como instrumento de perseguição política é uma aberração”,
afirmou.
Cisneiros destacou que o
sindicato atua na defesa da instituição e dos policiais, e que não permitirá
que a corporação, com mais de 200 anos de história, tenha sua credibilidade
arranhada.
“Nós vamos procurar o
Ministério Público. Isso não pode acontecer. A Polícia Civil é patrimônio do
povo pernambucano”, disse.
Denúncia de perseguição
interna
Durante a entrevista, o
presidente do Sinpol-PE também afirmou que o sindicato tem recebido relatos de
policiais que teriam cumprido ordens consideradas ilegais por medo de
represálias. Segundo ele, servidores que se recusam a cumprir determinações
acabam sofrendo perseguições administrativas ou transferências forçadas.
“Quem dá a ordem ilegal é quem
precisa ser responsabilizado. O policial, muitas vezes, cumpre por medo de
punição. Isso precisa ser investigado com seriedade”, declarou.
Cisneiros ainda relacionou o
episódio a um ambiente de tensão entre o sindicato e o Governo do Estado. Ele
afirmou que, após denúncias públicas sobre a falta de estrutura nas delegacias,
processos administrativos que estavam arquivados voltaram a tramitar contra
dirigentes sindicais.
Com isso, o Sinpol-PE defende uma apuração independente. “A Polícia Civil não pode ser usada para atender instrumentos políticos. Vamos tomar todas as providências para proteger a instituição e os policiais”, concluiu o presidente do sindicato.
FONTE: CBN RECIFE.