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O encontro acontece menos de
uma semana antes da volta das atividades legislativas e demonstra o interesse
dos parlamentares de dar celeridade a votações importantes. Os deputados
ressaltam que as principais pautas devem ser votadas até junho, por causa das
eleições.
De acordo com líderes
ouvidos pela reportagem, a oposição chega para a primeira reunião do ano
visando pressionar Motta a instaurar a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito)
do Abuso de Autoridade. A criação do colegiado ganhou força com as reportagens
que mostraram elos dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes com o caso
Banco Master.
Além disso, o grupo deve
cobrar explicações sobre as cassações dos deputados Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e
Alexandre Ramagem (PL-RJ), que ocorreram durante o recesso. Eduardo foi cassado
por excesso de faltas e Ramagem, em função da condenação por tentativa de golpe
de Estado.
A oposição também deve pedir
a Motta para interceder, junto ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União
Brasil-AP), por duas pautas.
A primeira é a derrubada do
veto do presidente Lula (PT) ao projeto da Dosimetria, que diminuiria a pena do
ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e demais envolvidos na trama golpista. A
segunda é a instauração da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) sobre
o Banco Master.
Já o governo Lula chega com
interesses divergentes. Um dos responsáveis pela articulação afirma que a base
vai lutar para manter o veto de Lula à Dosimetria e para impedir a instalação
de CPIs. O cálculo é que esse instrumento serve à oposição e atrapalha o ritmo
de votações do Congresso, principalmente em um calendário curto.
A ideia do Planalto é
conseguir pautar para terça-feira (3) a MP (Medida Provisória) do Gás do Povo,
que precisa ser aprovada até o Carnaval para não perder validade. O programa
oferece gratuidade na compra de gás de cozinha ou custeará parte dos gastos com
o produto por famílias de baixa renda.
O governo também defende a
votação ainda em fevereiro da MP do Piso dos Professores, também considerada
uma prioridade da base para o início do ano legislativo.
Outro ponto de discórdia que
Motta precisará mediar envolve o Projeto de Lei Antifacção e a PEC (Proposta de
Emenda à Constituição) da Segurança Pública.
Os temas são considerados
"espinhosos" por parlamentares. Ambas são propostas do governo que
foram desconfiguradas pela oposição ao longo de sua tramitação, e os dois
grupos prometem briga pela versão que irá à votação.
Na PEC da Segurança, o
governo mapeou pontos do relatório do deputado Mendonça Filho (União Brasil-PE)
para serem derrubados ou alterados. No PL Antifacção, a luta do Planalto será
para manter o relatório do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), aprovado pelo
Senado em dezembro.
A oposição insistirá em
manter a maior parte do relatório do deputado Guilherme Derrite (PP-SP), que
deixou o cargo de secretário da Segurança Pública do governo de Tarcísio de
Freitas, de São Paulo, para relatar o texto. O projeto havia sido aprovado na
Câmara em novembro, mas, em função das mudanças de Vieira, precisará ser
reanalisado pelo plenário.
A regulação da inteligência
artificial também deve ser discutida na reunião com Motta, apontou um líder
ouvido pela reportagem. Ele avalia que a Câmara tem sido pressionada pelo STF a
abordar o tema, que também está em debate no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Aprovado pelo Senado no fim
de 2024 após compromisso pessoal do então presidente, Rodrigo Pacheco (PSD-MG),
de pautar o tema, o projeto de IA está em tramitação na Comissão Especial sobre
Inteligência Artificial da Câmara, presidida pela deputada Luísa Canziani
(PSD-PR).
O governo ainda deve levar
para avaliação dos líderes a discussão sobre a implementação da tarifa zero no
transporte público e o fim da escala de trabalho 6x1. A última proposta reduz a
jornada de trabalho máxima e foi incluída nas prioridades do PT ainda no ano
passado.
A discussão sobre a redução da escala de trabalho começou com uma PEC da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), mas o Planalto decidiu apoiar a proposição com maior possibilidade de um andamento rápido no Congresso -neste caso, um projeto de lei. A proposta selecionada é do deputado Léo Prates (PDT-BA), que assumiu a relatoria do projeto.
FONTE: NOTÍCIAS AO MINUTO.