Publicada em 17/06/2026 às 11h27.
STF condena Eduardo Bolsonaro a 4 anos de prisão por coação no exterior
Ex-deputado foi punido por tentar pressionar ministros da Corte via governo dos EUA. Defesa alega nulidade do processo e aponta motivação política.

Foto: Divulgação.        


 A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) fixou, nesta terça-feira (16), uma pena de quatro anos e dois meses de reclusão em regime inicial semiaberto ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. Além da prisão, foi fixado o pagamento de 50 dias-multa, com cada dia-multa estabelecido em dois salários mínimos (R$ 3.036).

 

Como efeitos imediatos da sentença, Eduardo teve decretada a perda de seu cargo público concursado como escrivão da Polícia Federal (PF) e foi declarado inelegível por oito anos após o cumprimento da pena, com base na Lei da Ficha Limpa.

 

A condenação do ex-parlamentar se baseou em uma denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), que o acusou de tentar interferir nas investigações sobre tentativa de golpe de Estado para proteger seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) — condenado a 27 anos e 3 meses de prisão neste caso.

 

Segundo as investigações, o filho do ex-mandatário atuou junto a autoridades dos Estados Unidos, incluindo o próprio presidente Donald Trump, para pressionar ministros da Corte brasileira.

 

As ações de coação foram fundamentadas em provas de vídeo e áudio que demonstraram tentativas claras de intimidação. Entre as condutas identificadas, destacam-se as sanções econômicas, caracterizadas pelo incentivo a um "tarifaço" contra as exportações brasileiras, e pela aplicação de sanções baseadas na Lei Magnitsky, bem como as retaliações diplomáticas, que envolveram a articulação para a suspensão de vistos de 8 dos 11 ministros do STF.


Diante desse cenário, configurou-se uma situação de continuidade delitiva, na qual o ministro relator, Alexandre de Moraes, identificou ao menos nove momentos distintos em que o crime de coação foi executado, fator que justificou a elevação da pena final aplicada.

 

Moraes ressaltou que tais condutas não estão protegidas pela imunidade parlamentar, afirmando que “não é função de deputado brasileiro fazer lobby no exterior contra o próprio país”.

 

Posicionamento do condenado


Em nota oficial, Eduardo Bolsonaro classificou o julgamento como "sem pé nem cabeça", e afirmou que qualquer sentença proferida contra ele é "nula" por desrespeito ao devido processo legal. O ex-deputado alega que não foi notificado oficialmente sobre o processo por meio de carta rogatória, instrumento que considera necessário pelo fato de residir atualmente nos Estados Unidos.

 

Para estruturar sua defesa, Eduardo utilizou uma série de argumentos, a começar pela alegação de falta de citação, declarando que toma conhecimento dos fatos apenas pela imprensa, e que seu endereço nos EUA é "certo e sabido", tendo sido, inclusive, filmado por repórteres brasileiros.

 

Além disso, teceu duras críticas ao Judiciário ao afirmar que o ministro Alexandre de Moraes atua como "vítima e juiz do mesmo caso", e sustentou que existe uma motivação política por trás do processo, cujo objetivo real seria "tirar meu nome das eleições".

 

O ex-parlamentar expressou confiança na "restauração da democracia" por meio da vitória de seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nas eleições presidenciais deste ano, o que, segundo a sua visão, permitiria o retorno de exilados ao Brasil.



FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO.






          

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