São campanhas com aproveitamentos semelhantes, mas com problemas distintos. Após 15 rodadas da Série A, já é possível examinar Sport e Santa Cruz de forma mais detalhada e assim diagnosticá-los. Se nas Repúblicas Independentes do Arruda a grande dificuldade é o elenco limitado, sem peças de reposição à altura dos titulares - alguns nomes chegaram recentemente e podem mudar essa quadro -, na Praça da Bandeira a “síndrome do cobertor curto” vai sendo a grande responsável pela queima dos neurônios de Oswaldo de Oliveira.
Com ambos brigando contra a degola e respirando com ajuda de aparelhos ainda, conseguir resolver esses problemas é essencial para sobreviver na elite nacional, onde os adversários não costumam perdoar esse tipo de erro.
No caso do Sport, os problemas mudaram de setor com o decorrer da temporada. Se nos primeiros meses o sistema ofensivo era o grande problema, até o começo do Brasileirão, agora foi a defesa que desarrumou, sem poupar a marcação frouxa dos volantes. Na frente, o “ataque cardíaco” ganhou os reforços de Diego Souza (vice-artilheiro da competição, com oito gols), Edmílson e Rogério, que acompanhados das evoluções de Gabriel Xavier e Everton Felipe colocam o Sport inusitadamente os seis ataques mais positivos na elite nacional, com 23 tentos anotados (média de 1,53 G/J), ficando atrás apenas dos quatro clubes do G4. Como referência, na campanha brilhante na Série A do ano passado, o Leão tinha apenas três gols a mais na 15ª rodada, quando ocupava a quarta posição na classificação.
Atual calcanhar de Aquiles do Leão, a zaga tomou 26 gols (média de 1,73 G/J). Neste Brasileirão, em apenas dois dos 15 jogos os rubro-negros não tomaram gol (contra Santa Cruz e São Paulo). E a situação parece só piorar. Nos últimos quatro confrontos, dez gols tomados. Entre contratações, apenas Ronaldo Alves, Mansur e Apodi chegaram após o início da competição.
As duas vitórias seguidas na Série A, diante de Internacional e América/MG, trouxeram tranquilidade ao Santa Cruz. Afinal, antes desses dois jogos a equipe havia protagonizado uma sequência de nove confrontos na qual perdeu oito. Além da falta de confiança e da superioridade de alguns adversários, um dos grandes problemas enfrentados pelos corais foi o fato de o técnico Milton Mendes ter sofrido com o escasso números de peças de reposição do elenco. Desde que ganhou a Copa do Nordeste e o Campeonato Pernambucano a impressão deixada era a de que havia um time consolidado, mas faltava um elenco. O próprio treinador tricolor chegou a comentar que o time precisava ser reforçado.
E o Santa foi às compras, enquanto as derrotas iam sendo acumuladas. Desembarcaram no estádio José do Rego Maciel: Wellington, Luan Peres, Derley, Jadson, Danilo Pires, Marcinho e Marion. A chegada desses nomes rendeu uma maior esperança ao torcedor, que olhava o banco de reservas e não encontrava solução. Vale lembrar que durante a Série A, a diretoria tricolor chegou a dispensar o volante equatoriano Alex Bolaño, e o centroavante Everaldo.
Folha PE