Os números de sífilis em gestantes e de sífilis congênita (aquela transmitida de mãe para filho durante a gestação) também continuam numa reta crescente. Enquanto em 2014 foram registrados 1.280 casos de grávidas com a doença, em 2015 o número aumentou para 1.307 casos. Este ano, já foram somados 954 casos até setembro. Em relação ao quadro congênito, Pernambuco registrou 774 casos em 2014, 859 casos em 2015 e já notificou 644 casos nos nove primeiros meses deste ano.

A preocupação com o aumento dos casos da doença em todo o País fez o Ministério da Saúde (MS) convocar as sociedades médica e civil para combater a sífilis no Brasil. No fim de outubro, durante a Reunião Ordinária da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), foi assinada, com 19 associações e conselhos de saúde, uma carta compromisso estabelecendo ações estratégicas para redução da sífilis congênita no país com prazo previsto de um ano. O foco é detectar precocemente a doença no início do pré-natal e encaminhar imediato tratamento com penicilina.
Confira o vídeo de apresentação da campanha:
Coordenada pelo Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, do Ministério da Saúde, as ações terão prazo previsto de realização de um ano. O prazo corresponde ao intervalo entre o Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita, celebrado no terceiro sábado de outubro e a data do próximo ano. Estão previstos o incentivo à realização do pré-natal precoce, ainda no primeiro trimestre da gestação; ampliação do diagnóstico (por meio de teste rápido); tratamento oportuno para a gestante e seu parceiro; incentivo à administração de penicilina benzatina, considerada o único medicamento seguro e eficaz na prevenção da sífilis congênita. Também haverá ações de educação permanente para qualificação de gestores e profissionais de saúde.
A sífilis é causada pela bactéria Treponema pallidum e pode ser transmitida através de relações sexuais sem preservativo, da mãe para o feto, por transfusão de sangue ou por contato direto com sangue contaminado. De acordo com o Ministério da Saúde, os primeiros sintomas da doença são pequenas feridas nos órgãos sexuais e caroços (ínguas) nas virilhas que não doem, nem coçam e também não apresentam pus. Mesmo sem tratamento, os ferimentos podem desaparecer sem deixar cicatrizes, mas a pessoa continua doente e a doença vai desenvolvendo até chegar em outro estágio. Nessa outra fase, podem surgir manchas em várias partes corpo e o paciente também pode apresentar queda dos cabelos.
Assim como na primeira fase, esses sintomas também podem desaparecer e a doença não se manifesta durante meses ou anos, até que surgem complicações mais graves, como cegueira, paralisa e doenças cerebrais.
É uma doença que tem cura, em qualquer estágio, e com fácil detecção. O diagnóstico precoce é essencial para o tratamento correto, considerado eficaz. “O diagnóstico precoce quebra a cadeia de transmissão da doença. Por isso, os testes deveriam fazer parte do check-up anual porque a doença geralmente é silenciosa. Mas, mesmo nesse período de silêncio, a pessoa com a doença pode transmitir para outras pessoas”, alerta o coordenador estadual de Doenças Sexualmente Transmissíveis/Aids em Pernambuco, François Figueiroa.
O Ministério da Saúde informou que aumentou em mais de quatro vezes a quantidade de testes distribuídos a estados e municípios, passando de 1,1 milhão em 2001 para 6,1 milhões de testes em 2015. Para as gestantes, a indicação da realização dos testes rápidos é feita já na primeira consulta do pré-natal. Para realizar o teste pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o recomendado é procurar o posto de saúde mais próximo de casa.
Na estrutura municipal, há vários Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA). No Recife, o CTA fica na Policlínica Gouveia de Barros, no bairro da Boa Vista, área central da capital pernambucana. Na unidade, além das testagens gratuitas, os funcionários orientam os pacientes e distribuem material informativo para a população. Pelo plano de saúde, os testes de sífilis são solicitados pelo médico.
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