A Corte Constitucional da Coreia do Sul confirmou nesta sexta-feira (9) a destituição da presidente Park Geun-hye, suspeita de estar envolvida em um escândalo de corrupção que levou a seu afastamento do cargo, por decisão do Parlamento, em dezembro passado.
As ações de Park "constituem um grave atentado ao espírito (...) da democracia e ao Estado de Direito", disse o presidente da Corte Constitucional, Lee Jung-Mi. "A presidente Park Geun-Hye (...) foi destituída", acrescentou.
A decisão unânime do tribunal acaba com meses de crise política, e prevê a convocação de eleições antecipadas nos próximos 60 dias.
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Ativistas contrários ao governo festejam a queda de Park Geun-hye na Coreia do Sul
(Foto: Jung Yeon-je / AFP Photo)
Diante da Corte Constitucional, grupos de opositores e partidários do impeachment se reuniram para acompanhar a sessão decisiva, que foi transmitida pela TV.
Park, filha do ditador Park Chung-hee, se tornou a primeira presidenta da Coreia do Sul, ao ser eleita em 2012 com a maior votação da história democrática do país.
Mas seu estilo distante e uma série de polêmicas, somadas ao descontentamento social e político, minaram sua popularidade e levaram milhões de pessoas às ruas para pedir o impeachment.
Em dezembro, o Parlamento destituiu Park por corrupção e abuso de poder, em uma decisão confirmada nesta sexta pela mais alta corte do país.
O escândalo político teve como figura central Choi Soon-sil, chamada de "Rasputina" pela imprensa local. Amiga de Park há 40 anos, Choi Soon-sil é acusada de utilizar sua influência para receber mais de US$ 70 milhões de diferentes empresas sul-coreanas, e de intromissão nos assuntos do Estado.
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Choi Soon-sil , amiga de Park Geun-hye, em imagem de arquivo
(Foto: Ahn Young-joon / POOL / AFP Photo)
Park pediu perdão, em diversas ocasiões, pelo escândalo, mas sempre negou as acusações de ter agido ilegalmente. "Jamais busquei enriquecimento ou abusei do poder como presidente (...). Peço à Corte que adote uma decisão sabia", argumentou em carta enviada aos juízes.
A Corte concluiu que Park violou a lei ao permitir a ingerência de Choi Soo-sil em assuntos do Estado. "O presidente tem que usar seu poder conforme a Constituição e as leis, e os detalhes sobre sua função devem ser transparentes, para que o povo possa avaliar seu trabalho, mas Park ocultou completamente a intromissão de Choi nos assuntos de Estado, e a negou quando emergiram as acusações, inclusive criticando seus acusadores".
De acordo com a procuradoria especial do país, Park Geun-hye aliou-se com a amiga para receber propinas do Grupo Samsung com o objetivo de cimentar o controle do vice-presidente da empresa, Jay Y. Lee, sobre o conglomerado.
As descobertas da investigação de 70 dias levaram à acusação direta contra Park por várias infrações, entre elas conspiração para suborno implicando a Samsung.
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A presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye (Foto: Jeon Heon-kyun / Pool / Reuters)
Park, de 65 anos, teve seus poderes suspensos desde que foi afastada em dezembro. Com o impeachment, ela se torna a primeira líder sul-coreana eleita democraticamente a ser retirada do cargo.
A procuradoria especial também disse que a presidente foi fundamental para colocar mais de 9 mil artistas, autores e profissionais da indústria cinematográfica em uma lista negra e excluí-los da assistência governamental, o que constituiu abuso de poder.
G1