
Os assassinatos recentes de mulheres engrossam uma estatística que tem colocado o Brasil em uma posição onde ser do sexo feminino é perigoso. O país é o quinto lugar no mundo onde se matam mais mulheres. O machismo é apontado por especialistas como a principal origem dos casos de feminicídios.
A morte da fisioterapeuta Tássia Mirella Sena de Araújo, 28 anos, dentro do apartamento onde morava, no bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, foi um exemplo claro de como as mulheres estão expostas ao mais conservador do pensamento machista, segundo a análise da socióloga e educadora Sílvia Camurça, que faz parte da Instituição SOS Corpo.
"É como se toda mulher sozinha estivesse disponível. Se você mora só e não tem um 'homem' para cuidar de você, qualquer outro tem o direito de ter acesso ao seu corpo. Esse é um pensamento muito machista e que está na cabeça de muitos homens", pontua a socióloga.
O endurecimento das leis, apontado por algumas mulheres como uma saída para inibir as atitudes de homens que conservam um pensamento machista, é defendido pela educadora Sílvia Camurça. "A mudança requer justiça, como não deixar impune crimes bárbaros como esse (de Mirella Sena). Com uma maior ação, aqueles que mantém pensamentos assim (machistas) vão temer pelo seu futuro", conclui.