Publicada em 08/05/2017 às 18h09.
Dados do IBGE mostram que reforma da Previdência é 'inadiável', diz Temer
Ele disse prever uma década para União conseguir equilibrar arrecadação e gastos.

Temer diz que dados mostram que reforma é inadiável

FOTO: MARCOS CORRÊA, PRESIDÊNCIA

O presidente da República, Michel Temer, afirmou nesta segunda-feira (8), em um evento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que dados do órgão mostram que a reforma da Previdência é "inadiável no Brasil". O peemedebista ressaltou, ao discursar na solenidade, que números apresentados pelo presidente do IBGE, Paulo Rabelo de Castro, indicam que a população brasileira "está vivendo mais".


Nesta semana, a comissão especial criada na Câmara para analisar a proposta de reforma da Previdência deve concluir a votação do relatório que consolida e altera pontos do projeto enviado ao Congresso Nacional pelo governo Temer. O texto-base já foi aprovado pelos integrantes do colegiado, mas ainda falta votar cerca de dez destaques (propostas de alteração ao texto original).


"Com o trabalho que o IBGE faz é que nós podemos conduzir a nossa política. E não é de hoje que os dados do IBGE, claríssimos, indicam que a população brasileira, graças a Deus, está vivendo mais. E por isso que o Paulo [Rabelo de Castro] disse que a reforma da Previdência é inadiável", declarou Temer ao discursar na cerimônia de abertura do 3º Encontro Nacional de Chefes de Agências do IBGE.


Na solenidade, que serve para "alinhamento e preparação para o Censo Agropecuário 2017, o presidente da República foi homenageado com a medalha do mérito político Getúlio Vargas, honraria concedida pelo IBGE.


Déficit fiscal


Em meio à cerimônia, Michel Temer também falou dos esforços de seu governo para tentar equilibrar as despesas e os gastos da União. Segundo ele, não é possível zerar o déficit fiscal - que atualmente está no patamar de R$ 139 bilhões - em "um ou dois" anos.

Na avaliação do peemedebista, as contas públicas federais ainda levarão cerca de uma década para atingir o equilíbrio entre arrecadação e despesas.


"O Brasil é a nossa casa. Nós devemos nos incomodar [com o défict]. Porque o combate ao déficit público que faz com que tenhamos tranquilidade absoluta. Agora, registro, não se combate o déficit em um ou dois exercícios. É preciso muitos exercícios financeiros", enfatizou.


"O nosso desejo, o nosso anseio, a nossa busca, a nossa procura é, quem sabe, daqui a dez anos se possa fazer uma revisão em que só se gasta aquilo que se arrecada. Por isso, o prazo há de ser longo", complementou Temer.


Inflação


Ele destacou ainda, em meio ao discurso, que o país tem conseguido controlar "o fenômeno inflacionário". O peemedebista citou aos gestores do órgão responsável por calcular, entre outras coisas, o índice oficial do aumento no nível de preços, que a inflação deve passar de 10,7% para 4,55%.


Temer disse que a previsão é de que, até o final do ano, a inflação esteja em torno de 4%, índice abaixo do centro da meta estipulada pelo Banco Central, que é de 4,5%.


A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e deve ser perseguida pelo Banco Central, que para isso eleva ou reduz a taxa de juros (Selic). A meta central de inflação não é atingida no Brasil desde 2009.


"Economia livre da inflação, geradora de empregos. Com a graça de Deus, nós conseguimos reduzir o fenômeno inflacionário de 10,7% para hoje 4,55%, a indicar que, logo no final do ano, nós estaremos em torno de 4% de inflação, portanto, abaixo da meta do centro da inflação", discursou o presidente.


Os economistas do mercado financeiro preveem 4,01% de inflação em 2017. Com isso, ficou mantida a expectativa de que a inflação deste ano ficará abaixo da meta central.


As expectativas dos analistas do mercado financeiro foram coletadas pelo Banco Central na semana passada e divulgadas nesta segunda-feira (8) por meio do relatório de mercado, também conhecido como Focus. Mais de cem instituições financeiras foram ouvidas.

 

GW

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