Publicada em 11/11/2020 às 09h03.
PE: operação investiga uso de casas lotéricas para 'lavar' dinheiro de desvio de recursos públicos
Mapa da Mina teve origem em investigação de 2018 sobre grupo empresarial que teve 'grande crescimento' com processos de dispensa de licitação, segundo PF.


Sede da Polícia Federal em Pernambuco, localizada no Cais do Apolo, no Recife — Foto: Everaldo Silva/TV Globo


A Polícia Federal (PF) desencadeou, nesta quarta-feira (11), uma operação contra um grupo suspeito de utilizar casas lotéricas de propriedade de políticos para "lavar dinheiro" de desvios de verba pública e de corrupção. Ao todo, foram emitidos 25 mandados de busca e apreensão para endereços no Grande Recife, em Caruaru, no Agreste, e em Floresta, no Sertão, dentro da operação Mapa da Mina.


A investigação começou a partir de outra ação da PF, denominada Decimus, que identificou um grupo empresarial comandado por oficial da Polícia Militar com atuação na área de vigilância e de serviços gerais. Apenas duas empresas desse grupo receberam, desde 2013, cerca de R$ 175 milhões dos cofres públicos. No entanto, a PF não informou se esse dinheiro teria sido desviado.


Segundo a PF, esse grupo teve "crescimento econômico vertiginoso a partir de 2013" através de contratos com entidades públicas municipais, estaduais e federais, mediante dispensas de licitação suspeitas ou processos licitatórios direcionados.


Na primeira fase da operação, os indícios encontrados pela PF apontaram que os políticos investigados atuavam em parceria com o grupo empresarial junto a dirigentes de órgãos públicos, com o objetivo de direcionar licitações – ou a dispensa delas – para favorecer as empresas.


Segundo a PF, as firmas beneficiadas com os contratos públicos "transferem dinheiro rotineiramente para cinco casas lotéricas dos agentes públicos envolvidos". Os estabelecimentos, de acordo com a polícia, são mantidos “apenas para viabilizar o processo de lavagem de dinheiro, já que as lotéricas não geram lucros reais para seus sócios”. Feitas desde 2013, as transferências ultrapassam os R$ 14 milhões.


Os envolvidos podem responder pelos crimes de lavagem de dinheiro, fraude a licitações, peculato e corrupção ativa. Além de 100 policiais federais, auditores da Controladoria Geral da União participaram do cumprimento dos mandados.



FONTE: G1.GLOBO.COM/PE

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