
Jair Bolsonaro e seu filho Flávio Bolsonaro. - Foto: José Cruz/ Arquivo/ Agência Brasil
O
procurador-geral da República, Augusto Aras, informou ao Supremo
Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (19) que abriu uma apuração
preliminar para investigar uma mobilização de órgãos do governo para
tentar anular as investigações do caso das rachadinhas envolvendo o
senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ).
A manifestação é uma
resposta à determinação do ministro Ricardo Lewandowski, do STF, de que a
PGR avaliasse se há elementos para investigar o caso.
A decisão
do ministro é a praxe no STF e está prevista nas regras internas da
Corte. Isso porque o pedido de investigação partiu da deputada federal
Natália Benevides (PT-RN).
Pela Constituição, cabe à PGR
investigar políticos com foro privilegiado. A defesa de Flávio mobilizou
órgãos do governo para encontrar falhas na conduta da Receita Federal,
mas não teriam encontrado provas de qualquer irregularidade.
Os advogados do senador afirmam que funcionários da Receita violaram direitos dele para produzir relatórios.
O
procurador-geral da República afirmou que se forem encontrados indícios
concretos de eventuais crimes poderá pedir uma investigação formal ao
STF.
“A presente noti?cia-crime deu ensejo a? instaurac?a?o de
Noti?cia de Fato [apuração preliminar] no a?mbito desta
Procuradoria-Geral da Repu?blica, a fim de viabilizar a apurac?a?o
preliminar dos fatos narrados e suas circunsta?ncias, em tese, na esfera
penal”, escreveu.
Aras disse que um suposto ato de
improbidade no caso não seria competência da Corte, porque esse tipo de
ação não tem foro privilegiado e tramita na primeira instância.
Encontro
Segundo
reportagem da revista Época, os advogados de Flávio afirmaram, em
conversa registrada em 25 de agosto, ter descoberto a chave para
derrubar as investigações na Justiça.
Na visão da defesa do
senador, documentos provariam a existência de uma organização criminosa
instalada na Receita Federal, responsável por levantar informações que
embasariam os relatórios de inteligência do Coaf.
Um desses
relatórios revelou o esquema das "rachadinhas" que, segundo o Ministério
Público Federal, teria a participação de Flávio, filho do presidente
Jair Bolsonaro. Segundo as investigações, dinheiro público da Assembleia
Legislativa do Rio de Janeiro foi desviado por meio das "rachadinhas",
quando o parlamentar de pegar de volta parte do salário dos
funcionários.
Após a reportagem, a defesa do senador acionou a
PGR para que apure supostas irregularidades de servidores da Receita
Federal em investigação contra o senador. A PGR ainda não se manifestou
sobre o caso.
FONTE: G1.GLOBO.COM