Publicada em 10/12/2020 às 08h46.
Disputa pela Câmara vira "candidato de Bolsonaro" x "candidato de Maia"
O deputado eleito deve liderar a Câmara nos próximos dois anos.


Foto: Caroline Antunes/Palácio do Planalto


O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), lançou, ontem, uma frente formada por seis partidos para tentar eleger o sucessor ao comando da Casa no ano que vem. A iniciativa ocorreu horas depois de o líder do Centrão, deputado Arthur Lira (PP-AL), ter oficializado sua candidatura para concorrer ao cargo.


Além do DEM, o bloco de Maia conta com o apoio de PSL, MDB, PSDB, Cidadania e PV, somando 157 deputados.


A ideia é apresentar, até o fim desta semana, um nome para a disputa da eleição. Entre os cotados, estão os deputados Baleia Rossi (MDB-SP), Elmar Nascimento (DEM-BA) e Luciano Bivar (PSL-PE).


Mais cedo, Maia disse que o governo federal está “desesperado” para tomar conta da Presidência da Câmara. Também sustentou que o Planalto estaria disposto a jogar pesado e rasgar o próprio discurso na pauta econômica para eleger o líder do Centrão.


Maia ressaltou que o candidato do seu grupo terá compromisso com uma agenda econômica, “e não com uma pauta armamentista, de costumes, de desrespeito ao meio ambiente, que dividirá a sociedade e atropelará as minorias”. Com a ofensiva, o democrata busca demarcar território e colar em Arthur Lira a imagem de candidato do presidente Jair Bolsonaro para, segundo o deputado do DEM, impor uma pauta retrógrada.


“Cada um vai defender um caminho. Hoje (ontem), eu vi na imprensa que o candidato do Bolsonaro defende votação dos projetos de costumes. Eu discordo. Tanto discordo que não pautei e tenho certeza de que o meu candidato terá um compromisso muito maior no campo da agenda econômica do que no enfrentamento de uma pauta de dividir a sociedade e de atropelar as minorias. Cada um tem um caminho. O caminho do governo, certamente, será esse”, disse.


Discurso ameno


Tentando desvencilhar-se da imagem de candidato do governo, Lira afirmou que apostará no diálogo com todos os grupos. “Vamos adotar o diálogo com todos, minoria, oposição e governo. O plenário depende dos partidos de centro e é essa força que evita os extremos e sempre tocou essa Casa”, prometeu ele, que liderou a bancada do partido por seis vezes no Congresso e foi, também, presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).


O parlamentar ainda defendeu a realização do colegiado de líderes para fazer a pauta da Câmara e disse que a relatoria dos projetos será distribuída pela proporcionalidade dos partidos. Ele pregou, também, maior participação das mulheres na Casa.


A candidatura de Lira conta com a chancela de oito partidos. Juntos, PL, PSD, Solidariedade, Avante, PSC, PTB, Pros, Patriota e PP somam cerca de 170 deputados.


Tanto Lira quanto Maia tentam conquistar o apoio dos partidos da oposição, como PT, PSB, PDT, PCdoB e PSol. Juntas, essas legendas somam mais de 130 deputados e serão essenciais para que uma das candidaturas obtenha a maioria em plenário. A eleição para a Presidência da Câmara será em 1º de fevereiro de 2021.



FONTE: DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR

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