Publicada em 18/01/2021 às 09h40.
Palmares: casa de eventos “Alhures” ignora polícia, inferniza vida de moradores e descumpre decreto do Governo do Estado
Mesmo sendo advertido pela PM no último domingo do ano passado, o local continua sendo palco de perturbação do sossego e aglomeração.


Imagem mostra intenso barulho no local e vários carros na porta do estabelecimento/ Cinegrafista amador.


Moradores do Engenho São Manoel, em Palmares, na Mata Sul do estado, denunciaram, durante o fim de semana, a realização ilegal de um encontro aglomerado de pessoas, com som altíssimo, em um ambiente de recepção de festas na localidade. As denúncias, que chegaram via Whatsapp por diversos moradores do bairro, ocorreram durante todo o domingo (17).

 

O local é identificado pelo nome “Alhures” e já havia recebido, na última semana de 2020, a visita de oficiais do 10º Batalhão de Polícia Militar (10º BPM), após denúncias de som alto por parte dos organizadores. Durante o último fim de semana, no entanto, várias mensagens foram enviadas ao “Whatsapp da Nova”, pedindo providências para a reincidência do problema.

 

A partir de vídeos enviados por moradores, confirmando a irregularidade, uma equipe de reportagem esteve no local, por volta das 17h15, mas os organizadores já haviam reduzido o volume sonoro. Vários carros, no entanto, foram encontrados na entrada do endereço, com indícios de que houve aglomeração.


Em entrevista, sob a condição de anonimato, uma aposentada de 65 anos afirmou que o barulho no local é constante e que interfere na qualidade de vida dos moradores:

 

- “Eles sempre alugam o local e é sempre essa barulheira. Eu mesma já chamei a polícia algumas vezes, porque o volume é insuportável. Meu esposo é cardíaco e às vezes fica nervoso, até que o som seja desligado”, afirmou.


Imagem da primeira visita da PM ao local, para exigir desligamento de som/ Redes sociais.


Outra dona de casa, de 32 anos, também conversou com a reportagem e afirmou que a PM já esteve no mesmo endereço há alguns dias e exigiu que os organizadores do evento baixassem o som:

 

- “Nossa, o barulho é insuportável! Você não consegue estudar, ler, ver uma notícia na TV, que o som não deixa. O pior é que a gente sabe que tem aglomeração constante né, um absurdo. Semana passa a polícia veio e mandou desligar, a gente até achou que não ia ter mais barulho. O povo morrendo nos hospitais, quase não tem mais leito em lugar nenhum. A gente vê os casos do Amazonas e pensa que as pessoas deveriam ter mais consciência, mas é o contrário.”, desabafou.

 

Alguns moradores, que não quiseram dar entrevista, informaram à reportagem que mandaram vídeos do local em atividade para o Whatsapp do 10º BPM, pedindo providências no endereço.

 

Crime contra decreto governamental



Imagem da coletiva de imprensa/ Secretaria Estadual de Saúde/ Divulgação.

 

A reclamação dos habitantes está baseada legalmente no decreto estadual nº 50062/21, editado e publicado no dia 13 de janeiro, que proíbe “a utilização de som nos bares, lanchonetes, restaurantes e estabelecimentos similares, a partir do dia 15 de janeiro de 2021, pelo prazo de 30 (trinta) dias”.

 

Em entrevista coletiva, o secretário de Saúde, André Longo, justificou que a medida objetiva evitar eventos públicos e privados que promovam aglomeração, no momento em que os casos de Covid-19 no estado têm aumentado consideravelmente:

 

- “Determinei ao Procon, uma medida mais enérgica. Aquele que for reincidente, ele não vai abrir. Nós vamos caçar a autorização do funcionamento desses estabelecimentos. Nós vamos caçar a inscrição na Fazenda Estadual e também na junta comercial. Essas pessoas vão desaparecer da vida empresarial”, enfatizou o secretário.

 

A punição por desobediência ao decreto pode chegar a R$ 500 mil (quinhentos mil reais), além do fechamento permanente do estabelecimento.

 

Mais de 10 mil mortos

 

No último domingo (17), Pernambuco atingiu a triste marca de mais de 10 mil mortes por Covid-19, de acordo com dados oficiais divulgados pela Secretaria Estadual de Saúde (SES/PE). Os números tornaram-se públicos no mesmo dia em que houve, oficialmente, a primeira vacinação com uma dose da Coronavac, em São Paulo.

 

De acordo com a Secretaria de Saúde, Pernambuco deve receber 270 mil doses de vacina ainda nesta segunda-feira (18) para o início da execução do Plano Nacional de Vacinação.

 

 

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