Imagem mostra intenso barulho no local e vários carros na porta do estabelecimento/ Cinegrafista amador.
Moradores do Engenho São Manoel,
em Palmares, na Mata Sul do estado, denunciaram, durante o fim de semana, a realização
ilegal de um encontro aglomerado de pessoas, com som altíssimo, em um ambiente
de recepção de festas na localidade. As denúncias, que chegaram via Whatsapp
por diversos moradores do bairro, ocorreram durante todo o domingo (17).
O local é identificado pelo nome “Alhures”
e já havia recebido, na última semana de 2020, a visita de oficiais do 10º
Batalhão de Polícia Militar (10º BPM), após denúncias de som alto por parte dos
organizadores. Durante o último fim de semana, no entanto, várias mensagens foram
enviadas ao “Whatsapp da Nova”, pedindo providências para a reincidência do
problema.
A partir de vídeos enviados por moradores, confirmando a irregularidade, uma equipe de reportagem esteve no local, por volta das 17h15, mas os organizadores já haviam reduzido o volume sonoro. Vários carros, no entanto, foram encontrados na entrada do endereço, com indícios de que houve aglomeração.
Em
entrevista, sob a condição de anonimato, uma aposentada de 65 anos afirmou que
o barulho no local é constante e que interfere na qualidade de vida dos moradores:
- “Eles sempre alugam o local e é sempre essa barulheira. Eu mesma já chamei a polícia algumas vezes, porque o volume é insuportável. Meu esposo é cardíaco e às vezes fica nervoso, até que o som seja desligado”, afirmou.

Imagem da primeira visita da PM ao local, para exigir desligamento de som/ Redes sociais.
Outra dona de casa, de 32 anos,
também conversou com a reportagem e afirmou que a PM já esteve no mesmo
endereço há alguns dias e exigiu que os organizadores do evento baixassem o
som:
- “Nossa, o barulho é
insuportável! Você não consegue estudar, ler, ver uma notícia na TV, que o som
não deixa. O pior é que a gente sabe que tem aglomeração constante né, um
absurdo. Semana passa a polícia veio e mandou desligar, a gente até achou que
não ia ter mais barulho. O povo morrendo nos hospitais, quase não tem mais
leito em lugar nenhum. A gente vê os casos do Amazonas e pensa que as pessoas
deveriam ter mais consciência, mas é o contrário.”, desabafou.
Alguns moradores, que não
quiseram dar entrevista, informaram à reportagem que mandaram vídeos do local em
atividade para o Whatsapp do 10º BPM, pedindo providências no endereço.
Crime contra decreto governamental

Imagem da coletiva de imprensa/ Secretaria Estadual de Saúde/ Divulgação.
A reclamação dos habitantes está baseada
legalmente no decreto estadual nº
50062/21, editado e publicado no dia 13 de janeiro, que proíbe “a utilização de som nos bares, lanchonetes,
restaurantes e estabelecimentos similares, a partir do dia 15 de janeiro de
2021, pelo prazo de 30 (trinta) dias”.
Em entrevista coletiva, o
secretário de Saúde, André Longo, justificou que a medida objetiva evitar
eventos públicos e privados que promovam aglomeração, no momento em que os
casos de Covid-19 no estado têm aumentado consideravelmente:
- “Determinei ao Procon, uma
medida mais enérgica. Aquele que for reincidente, ele não vai abrir. Nós vamos
caçar a autorização do funcionamento desses estabelecimentos. Nós vamos caçar a
inscrição na Fazenda Estadual e também na junta comercial. Essas pessoas vão
desaparecer da vida empresarial”, enfatizou o secretário.
A punição por desobediência ao
decreto pode chegar a R$ 500 mil (quinhentos mil reais), além do fechamento
permanente do estabelecimento.
Mais de 10 mil mortos
No último domingo (17),
Pernambuco atingiu a triste marca de mais de 10 mil mortes por Covid-19, de
acordo com dados oficiais divulgados pela Secretaria Estadual de Saúde (SES/PE).
Os números tornaram-se públicos no mesmo dia em que houve, oficialmente, a
primeira vacinação com uma dose da Coronavac, em São Paulo.
De acordo com a Secretaria de
Saúde, Pernambuco deve receber 270 mil doses de vacina ainda nesta
segunda-feira (18) para o início da execução do Plano Nacional de Vacinação.