Publicada em 02/02/2021 às 09h33.
Pandemia deixa mais da metade das mulheres fora do mercado de trabalho
Crise dos serviços, setor empregador da população feminina e cuidado com filhos atrasam recuperação.


Imagem meramente ilustrativa / Reprodução do google.


O efeito devastador da Covid-19 sobre o emprego – em especial sobre o setor informal – está atrasando a volta de mulheres ao mercado de trabalho.

Segundo a Pnad Contínua, do IBGE, 8,5 milhões de mulheres tinham deixado a força de trabalho no terceiro trimestre de 2020 (último dado disponível), na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Esse movimento rumo à inatividade – situação em que a pessoa não trabalha nem procura uma ocupação – fez com que mais da metade da população feminina com 14 anos ou mais ficasse de fora do mercado de trabalho. A taxa de participação na força de trabalho ficou em 45,8%, uma queda de 14% em relação a 2019.

Na comparação com o primeiro trimestre, o número de trabalhadores fora da força de trabalho teve um incremento de 11,2 milhões de pessoas. Dessas, sete milhões eram mulheres.

No emprego formal, o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) mostra que, enquanto no ano passado 230,2 mil vagas criadas foram ocupadas por homens, as mulheres perderam 87,6 mil postos.

De abril a dezembro, os nove meses inteiramente sob a crise sanitária, o saldo de vagas ficou positivo em 168 mil para eles. As mulheres tiveram 94,9 mil colocações eliminadas.

Parte do que explica esse quadro é anterior à pandemia e é o que os pesquisadores chamam de questões estruturais, como a desigualdade na inserção das mulheres no mercado e a maior rotatividade entre elas. Em momentos de choque, como foi a pandemia, grupos mais vulneráveis são os mais rapidamente atingidos.

Segundo a pesquisadora Solange Gonçalves, coordenadora do Grupo de Estudos em Economia da Família e do Gênero, ligado à Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), a saída de mulheres da força de trabalho é geralmente associada aos cuidados domésticos, com os filhos e com outras pessoas da família.

No caso dos homens, a saída para a inatividade está mais relacionada a problemas de saúde.


FONTE: FOLHA DE S. PAULO


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