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É FAKE! / Reprodução do G1.
Circula nas redes sociais a mensagem de que a Suprema Corte dos Estados Unidos publicou um documento em que afirma que pessoas vacinadas contra a Covid-19 "deixam de ser consideradas humanas e perdem todos os direitos". A mensagem cita um "documento original da Corte" para justificar a afirmação. Em inglês, publicações sobre o tema apontam que imunizados se tornam "transumanos". É #FAKE.
O documento citado existe, mas é de junho de 2013, antes da pandemia de Covid-19, e não tem nenhuma relação com vacinas contra a doença. Na realidade, trata de uma decisão envolvendo a Associação de Patologias Molecular e a empresa Myriad Genetics, que queria patentear as sequências de mutações genéticas que podem levar ao câncer de mama. Na época, o Tribunal Superior americano decidiu por unanimidade que segmentos isolados de DNA humano não podiam ser patenteados, o que só podia ser feito em caso de desenvolvimento de DNA sintético, o chamado DNA complementar.
O mesmo documento já foi usado em mensagens falsas nas redes sociais com a afirmação de que pessoas imunizadas podem ser patenteadas, o que também não é verdade. A mentira foi checada em julho pela agência de notícias AFP, que também confirmou que não havia nenhuma relação entre o documento e as vacinas ou qualquer hipótese de uma pessoa ser patenteada.
"O caso do Supremo Tribunal citado não está relacionado com a questão de determinar quem ou o que é humano e o que não é. Também não há relação entre este caso e qualquer reclamação relacionada à administração de qualquer tipo de vacina, incluindo vacinas de mRNA. Também não há um caso ou lei dizendo que, após qualquer tipo de intervenção médica, incluindo o recebimento de uma vacina, alguém deixa de ser considerado um humano para fins legais", afirma Ana Santos Rutschman, especialista em direito vacinal e professora assistente do Centro de Estudos de Direito Sanitário da Universidade de St Louis, nos EUA.
O Fato ou Fake já esclareceu que as vacinas contra o novo coronavírus não conseguem gerar modificações genéticas. Segundo o pneumologista Rodolfo Fred Behrsin, professor do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle, para modificar o código genético humano é necessário um mecanismo que não existe nas vacinas.
"O material da vacina teria que entrar em todas as
células do organismo, produzindo tal mudança, o que não parece ser viável. Os
volumes administrados em cada paciente são pequenos. Além disso, a vacina é
testada em relação a efeitos colaterais antes de liberada", ressalta.
FONTE: G1.