
A
inflação acelerou em setembro no Brasil e voltou a atingir com maior
força o bolso dos mais pobres, aponta estudo divulgado nesta sexta-feira
(15) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
O
levantamento divide a população em seis faixas de renda. No mês passado,
todas as camadas pesquisadas viram a inflação acelerar para 1% ou mais.
A questão é que as famílias mais pobres amargaram, novamente, um
aumento superior nos preços.
A situação preocupa porque essa
camada tem menos condições financeiras para lidar com a carestia de
itens básicos para o dia a dia. Entre eles, estão alimentos, energia
elétrica e gás de cozinha.
Em setembro, a inflação para as
famílias com renda considerada muito baixa chegou a 1,30%, o maior
avanço entre as faixas pesquisadas. O grupo é formado por brasileiros
cujo rendimento domiciliar fica abaixo de R$ 1.808,79 por mês.
Com
o resultado de setembro, a inflação para os mais pobres chegou a 10,98%
no acumulado de 12 meses. Também é a maior alta entre os seis grupos
investigados.
A título de comparação, a inflação para as famílias
com renda considerada alta foi de 1,09% em setembro. No acumulado de 12
meses, a variação dos preços atingiu 8,91% para os mais ricos.
O grupo é composto por famílias com renda domiciliar acima de R$ 17.764,49.
Segundo
o Ipea, as famílias com rendimento mais baixo foram impactadas,
sobretudo, pelo aumento nos preços do setor de habitação em setembro.
Dentro
desse segmento, houve reajustes de 6,5% nas tarifas de energia
elétrica, de 3,9% no gás de botijão e de 1,1% nos artigos de limpeza.
O
bolso dos mais pobres também foi pressionado, ainda que em menor
medida, pela alta nos alimentos no domicílio. Frutas (5,4%), aves e ovos
(4%) e leites e derivados (1,6%) fazem parte dessa lista.
Para
as camadas com renda maior, o principal foco inflacionário em setembro
veio do setor de transportes. No mês passado, esse ramo de produtos e
serviços teve o efeito dos reajustes de 2,3% na gasolina, de 28,2% nas
passagens aéreas e de 9,2% nos transportes por aplicativo.
Com
orçamento bem mais restrito, os mais pobres acabam direcionando seu
dinheiro especialmente para despesas como alimentação em casa, energia
elétrica, gás de cozinha e aluguel.
Ao longo da pandemia, esses
itens ficaram mais caros, o que ajuda a entender a escalada
inflacionária maior entre as famílias com renda inferior.
O
estudo do Ipea ainda traz o recorte do aumento de preços no acumulado do
ano, entre janeiro e setembro. Nessa comparação, as famílias com renda
média-baixa (entre R$ 2.702,88 e R$ 4.506,47) registraram a maior alta
inflacionária. O avanço foi de 7,23%.
FONTE: FOLHAPE.COM.BR