
O pequeno Ben, de cinco meses / Reprodução do Diário de Pernambuco.
O casal Nathalie Brener e Túlio Guimarães foi ao Instagram anunciar uma notícia há muito aguardada pelos 19,3 mil seguidores: eles conseguiram os 2 milhões de dólares (cerca de R$ 12 milhões) para comprar um remédio que pode salvar o filho Benjamin, de cinco meses. O menino sofre de uma rara síndrome genética chamada Atrofia Muscular Espinhal (AME) e precisa receber tratamento o quanto antes.
No vídeo, os dois reforçaram o
lema da campanha em prol da saúde do bebê “O Ben sempre vence” e agradeceram
pelas doações e apoio. Além do financiamento coletivo, a família fez rifas de
diversos bens, como um iphone e uma moto, para arrecadar a quantia necessária.
“Compramos o medicamento junto à
fabricante suíça Novartis e expectativa é de que ele chegue ao Brasil ainda em
outubro. Assim, conseguiremos nossa meta: o Bem tomar esse tão sonhado remédio
antes de completar os seis meses de vida”, explicou a mãe.
A meta levou cerca de 100 dias
para ser atingida e a família que "é só alegria", nas palavras dos
pais, vai compartilhar também os próximos passos do tratamento do menino pelo
perfil da campanha (@ameoben) no Instagram. Emocionado, o pai de Benjamin
deixou um recado para o filho. “Desejo muita saúde para você meu filho, você é
um guerreiro, que Deus te abençoe”, disse.
O remédio mais caro do mundo:
O Zolgensma é pivô de muitas
batalhas judiciais no Brasil para que as famílias consigam sua obtenção pelo
SUS. Lançado em 2019 pela farmacêutica Novartis, gerou uma série de
controvérsias em todo o mundo, em especial pela falta de transparência acerca
de seus custos. Para se ter uma ideia, o medicamento que ocupava o topo do
ranking mundial de fármacos caros custava metade do que é pedido por essa
droga.
A substância promete levar ao
paciente uma forma saudável do gene disfuncional e parar a progressão da
doença. Já o Spinraza, disponibilizado pelo SUS há cerca de dois anos, retarda
os efeitos da doença e auxilia na recuperação de alguns movimentos, mas o processo
degenerativo pode continuar no futuro.
A forma de aplicação também é
diferente. Enquanto o remédio mais caro exige uma única injeção, o medicamento
mais antigo requer que a criança seja internada pelo menos uma vez por ano para
receber a dose da substância intravenosa. Por tudo isso, o Zolgensma é
preferido pelos familiares, que buscam maneiras judiciais ou campanhas públicas
para a compra do fármaco.
A doença
Para os pacientes com AME, o tempo
é uma questão fundamental. Tudo porque essa é uma doença degenerativa que
evolui rapidamente, provocando a morte dos neurônios musculares inferiores.
Quanto maior o hiato entre o diagnóstico e o começo do tratamento, mais os
músculos se degradam, ficam fracos e atrofiam.
Depois de alguns meses, o paciente
começa a perder capacidades essenciais para a vida como a de se movimentar, de
engolir e pode até ter uma parada cardíaca ou respiratória. A AME é uma
síndrome genética, causadas por mutações de baixíssima prevalência na
população. Por isso, só um ou dois em cada 100 mil nascidos vivos apresentarão
a doença.
Ela é divida em cinco tipos
numerados de 0 a 4. No primeiro, são enquadrados os pacientes recém-nascidos e
com funções musculares menos afetadas, no último os indivíduos com diagnóstico
tardio e/ou com um quadro clínico mais grave. Em alguns casos, as pessoas
sequer conseguem sentar-se de maneira independente.
Nos bebês, a doença pode ser
percebida pelo pediatra durante as consultas de rotina, mas dificilmente é
notada logo de início pelos pais ou profissionais de outras áreas. Isso porque,
nos primeiros meses, o atraso motor é sutil.
A criança pode apresentar moleza,
dificuldades para sustentar a cabeça, sentar e atraso para começar a
engatinhar, por exemplo. Outros sintomas, como perda rápida de peso e
dificuldades para engolir e respirar são mais facilmente notados pela família.
É por isso que uma das orientações
das entidades do setor é que a família mantenha a Caderneta da Criança
atualizada e leve sempre às consultas médicas. Esse documento, emitido pelo
Ministério da Saúde e entregue aos responsáveis por todo recém-nascido no
Brasil, contém os parâmetros de desenvolvimento desde bebê até os 9 anos de
idade. É através dele que a equipe de saúde da família poderá identificar
qualquer atraso no desenvolvimento motor e chegar a um diagnóstico rápido,
tanto no caso de AME, quanto de outros problemas identificáveis na infância.
FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO.