
O
número de brasileiros que avalia a gestão do presidente Jair Bolsonaro
como ruim ou péssima voltou a subir e chegou muito próximo do recorde,
registrado em julho deste ano, quando ficou em 57%. Segundo dados da
mais recente pesquisa EXAME/IDEIA, a avaliação negativa soma 53%. Em
relação à última sondagem, de agosto, foi um aumento de cinco pontos
percentuais. Quem acha o trabalho do presidente ótimo ou bom são 23%, e
regular, 21%.
A pesquisa traz dados muito eloquentes em relação à
inflação. Dos entrevistados, 79% encaram a situação como um grande
problema no dia a dia. Os itens que mais têm pesado no bolso das pessoas
são alimentos, bebidas e combustíveis. Para a população de renda mais
baixa, das classes D e E, os alimentos e as bebidas têm um peso maior, e
os combustíveis, obviamente, nas classes A e B.
Outro ponto
importante é que 68% dos entrevistados mudaram os hábitos de
alimentação em razão da inflação. "Obviamente que isso tem um impacto
muito grande no dia a dia das pessoas, estamos falando de mais de dois
terços dos brasileiros comendo de alguma maneira diferente, obviamente
piorando sua alimentação em razão do aumento de preços. Quem trabalha
com a inflação sabe que ela é essencialmente expectativa, e 61% acham
que os preços vão continuar aumentando nos próximos seis meses, ou seja,
vamos continuar convivendo com um cenário bastante preocupante para o
Brasil” , diz Maurício Moura, fundador do IDEIA, instituto especializado
em opinião pública.
"Em relação à avaliação do governo, os
indicadores do presidente continuam bastante reativos. A gente vê um
ruim e péssimo acima de 50%, o que é muito perigoso porque essa parcela é
de difícil desconversão. A aprovação de Jair Bolsonaro, apesar de bem
resiliente na casa de 25%, no histórico é muito inferior aos pares dele
que conseguiram a reeleição no Brasil pós-redemocratização - Fernando
Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Bolsonaro
tem duas variáveis bastante preocupantes para uma possível reeleição:
forte rejeição refletida na avaliação ruim, e baixa aprovação”, avalia
Maurício.
Outro dado preocupante da pesquisa é que 42% dos
brasileiros discordam que a economia vai melhorar nos próximos seis
meses. "É muita gente com incertezas em relação ao futuro da economia,
no médio prazo. Isso tem uma correlação com a aprovação do governo, 55%
dos que avaliam o governo como ótimo e bom acham que vai melhorar e quem
avalia mal é justamente o contrário [66% ruim e péssimo]. É um
sentimento geral de desconfiança e incerteza em relação à melhora
econômica”, diz Maurício Moura.
Dos entrevistados, 45% atribuem
ao governo federal o aumento no preço dos combustíveis e 28% atribuem
aos governadores. Só que, quando cruzamos essa informação com aprovação e
avaliação do presidente, é justamente o contrário. Quem aprova o
governo federal acha que a culpa é dos governadores e vice-versa. A
responsabilidade, do ponto de vista da opinião pública, é um tema
bastante polarizado.
A pesquisa EXAME/IDEIA ouviu 1.295 pessoas
entre os dias 18 e 21 de outubro. As entrevistas foram feitas por
telefone, com ligações tanto para fixos residenciais quanto para
celulares. A sondagem é um projeto que une EXAME e o IDEIA, instituto de
pesquisa especializado em opinião pública. A margem de erro é de 3
pontos percentuais para mais ou para menos.
FONTE: NOTICIASAOMINUTO.COM.BR