
Estudantes de Economia querem estudar na França / Reprodução do Diário de Pernambuco.
Em abril de 2020, as estudantes de Economia da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) Jacielle Lima (21) e Sabrina Araújo (28) receberam a notícia de que tinham sido selecionadas no Programa CAPES-BRAFAGRI em primeiro e segundo lugar para embarcar em um intercâmbio na França. A mobilidade seria em setembro de 2020, mas, devido à pandemia, o intercâmbio foi adiado por um ano. Enquanto as estudantes se preparavam para a experiência, receberam a notícia que não seriam contempladas com as bolsas em junho de 2021.
Após mobilizações de Jacielle e
Sabrina, o órgão justificou o corte afirmando que o edital não contempla o
curso das candidatas. Porém, a Diretora do Núcleo de Internacionalização da
UFRPE, Rita de Cássia, enviou um ofício registrando estudantes de
economia da instituição que participaram das edições anteriores do programa e
ainda assim não obteve resposta ou amparo da CAPES.
“A gente cumpriu todos os
requisitos, passamos com margem, e aqui estamos, sem apoio do governo e
ignoradas pela justiça. Mas lutamos diariamente e vamos provar que é a educação
que mudará este país”, afirma Jacielle.
Mesmo com o corte no edital, a
universidade francesa Montpellier SupAgro informou que poderia receber as
estudantes para o intercâmbio em janeiro de 2022. Jacielle e Sabrina decidiram
não desistir do sonho: criaram um perfil no instagram (@economianafranca) para
divulgar a história e buscar apoio financeiro para conseguir o visto.
Sem a bolsa, elas precisam
comprovar renda para tirar o visto. Entre os documentos necessários, é
solicitado uma declaração de financiamento parental ou de autofinanciamento de
€ 615 mensais. Como a universidade francesa ofertou um semestre, é preciso
comprovar essa renda (€ 615 x 6) e arcar com passagens, visto e tradução de
documentos. Por isso, a meta é R$ 25.000 para cada, totalizando R$ 50.000 na
vaquinha.
Para acrescentar no valor da
vaquinha, as estudantes vendem feijoada e sarapatel aos finais de semana e
fizeram um bazar de roupas. Outro meio de arrecadação são as rifas, que já
lançaram três. Quando possível, também vendem água na praia. Uma professora de
microeconomia da UFRPE chegou a doar móveis para Jacielle e Sabrina venderem e
alavancar o recebimento.
Sabrina mantém as esperanças de
realizar o sonho: “A experiência de vida no exterior será muito enriquecedora
do ponto de vista pessoal, pois aprenderei a lidar com o inesperado e a
descobrir outras formas de pensar, estudar e trabalhar. Sem contar que, no meu
retorno ao Brasil, poderei implementar estas novas competências, contribuindo
assim para o desenvolvimento do meu país”.
“Batalhamos muito, estudávamos
francês pela manhã, seguíamos para o trabalho e à noite tínhamos aula na UFRPE.
Foi um sonho que batalhamos juntas e passar também juntas marcou muito e valeu
muito a pena cada esforço e noites mal dormidas”, acrescenta Jacielle sobre todo
o processo que fizeram as duas passarem juntas no programa.
Procurada pela reportagem, a CAPES
reitera que “as estudantes citadas não tiveram as bolsas cortadas, pois as
mesmas não tiveram as suas candidaturas homologadas. A seleção interna da
universidade trata-se de apenas uma das etapas para aprovação da candidatura.
No caso das estudantes, elas não atenderam aos critérios do edital da CAPES,
portanto, não passaram por todas as etapas do processo”.
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Pix: economianafranca@gmail.com
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titular: Sabrina Araújo
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Nota da Capes
O programa CAPES-BRAFAGRI, em
cooperação com a França, seleciona projetos de parcerias universitárias nas
áreas de ciências agronômicas, agroalimentares e veterinária, disciplinas
correlatas. Portanto, os estudantes selecionados pelas universidades precisam
estar matriculados em cursos das áreas referidas para atender aos critérios
elegíveis do edital do programa, o que não é o caso das estudantes mencionadas.
A CAPES esclarece que as
estudantes citadas não tiveram as bolsas cortadas, pois as mesmas não tiveram
as suas candidaturas homologadas. A seleção interna da universidade
trata-se de apenas uma das etapas para aprovação da candidatura. No caso das
estudantes, elas não atenderam aos critérios do edital da CAPES, portanto, não
passaram por todas as etapas do processo.
FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO,