/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2022/b/p/g8o802QEe8zqvcg0kvtA/selo-terapia-genica.jpg)
É FAKE / Reprodução do G1.
Circula nas redes sociais mensagens que dizem que as vacinas contra a Covid-19 são produtos de terapia gênica -- ou genética. É #FAKE.
"O que fazer quando o diretor não quer deixar seu
filho se matricular porque ele não tomou uma vacina experimental, que na
verdade não é uma vacina, é uma terapia gênica aprovada pela Anvisa?", diz
um homem em uma live antivacina.
A Anvisa e especialista ouvidos pelo g1 explicam que as
vacinas contra a Covid-19 e terapias gênicas são coisas distintas.
Terapia gênica, de acordo com a Anvisa, envolve provocar
mudanças de propósito no material genético das células humanas a fim de tratar
ou curar pacientes de doenças.
Já as vacinas de RNA mensageiro são elaboradas a partir
de código genético do vírus da Covid-19 e são usadas em processos de imunização
de pessoas saudáveis -- e não para o tratamento de alterações genéticas ou de
doenças relacionadas. Por isso, não podem ser consideradas terapias gênicas, de
acordo com a Anvisa.
Veja mais informações sobre as diferenças abaixo.
Terapia gênica
De acordo com a Anvisa, um produto de terapia gênica é um
medicamento especial que contém ácido nucleico recombinante (material
genético), com o objetivo de regular, reparar, substituir, adicionar ou deletar
uma sequência genética e/ou modificar a expressão de um gene humano, com vistas
a resultados terapêuticos.
"Isso pode ser feito de várias maneiras:
substituindo um gene humano causador de doença por um gene alternativo
saudável, desabilitando um gene defeituoso causador de doença ou introduzindo
um novo gene para ajudar a tratar uma doença", diz o órgão.
"É corrigir um gene que está errado. Isso que é
terapia gênica", explica a professora Mayana Zatz, coordenadora do Centro
de Estudos do Genoma Humano e de Células-Tronco da Universidade de São Paulo.
"Se você tem uma doença genética que é causada por
uma mutação em determinado gene, você pode fazer uma terapia gênica tentando
corrigir a mutação, o que é coisa muito difícil, mas está se começando a
fazer", diz Zatz.
"A outra possibilidade é introduzir um gene normal.
Você tem um gene defeituoso, então você introduz uma cópia normal desse gene.
Por exemplo: tem uma doença chamada amietrofia espinhal, que causa a morte dos
neurônios que são responsáveis pela função muscular. Existe uma [técnica] nova
de tecnologia gênica onde se inseriu a cópia normal do gene dentro de um vírus,
e [o material] é injetado na pessoa que tem essa doença", diz a
professora. "Não tem nada a ver com vacina."
Terapias gênicas são o produto de mais de cinco décadas
de intensas pesquisas científicas, de acordo com a Anvisa. Atualmente, há mais
de 20 produtos de terapia gênica aprovados no mundo para tratamento de uma gama
de doenças, como cânceres, doenças oculares, musculares e neurológicas.
No Brasil, em 2020, a Anvisa aprovou dois produtos de
terapia gênica para o tratamento da atrofia muscular espinhal (AME) e da
distrofia hereditária da retina (DHR), causadas por alterações genéticas
específicas e raras.
Vacinas
Já as vacinas que empregam em sua tecnologia o código
genético do vírus Sars-CoV-2 (vírus da Covid-19) não são terapias gênicas
porque não utilizam cópias de genes humanos para tratamentos de doenças.
As vacinas de RNA mensageiro, a exemplo da vacina da
Pfizer, usam o código genético do vírus da Covid-19 para fabricar de forma
sintética o chamado RNA mensageiro (RNAm), para que as células produzam a
proteína característica do vírus e induzam a resposta imunológica. Nesse caso,
não há interação ou interferência com os genes humanos.
Os RNA mensageiros, explica a Anvisa, são moléculas
transitórias que são rapidamente degradadas nas células após produzirem as
proteínas imunizantes.
Os mecanismos das vacinas de material genético, assim
como outros tipos de vacinas, permitem que o corpo humano desenvolva anticorpos
contra a proteína específica do vírus da Covid-19, de modo que, se o corpo
encontrar a mesma proteína novamente (principalmente quando uma pessoa é
infectada pelo vírus), o sistema imunológico pode reagir muito mais rápido.
"As pessoas que são antivax dizem que o vírus vai se inserir no teu DNA e vai alterar teu código genético. É uma bobagem. Porque são vírus de RNA e você tem um DNA. Nunca foi comprovado uma coisa dessas", afirma Zatz. "A vacina é totalmente segura. O único problema da vacina é que parece que o efeito dela não dura a longo prazo, por isso que as pessoas estão tomando a terceira dose. Mas não tem nada a ver com alterar o DNA", diz Zatz.
FONTE: G1.