Publicada em 24/05/2022 às 10h05.
Bebê de 11 meses morre à espera de leito de UTI na emergência de hospital no Recife
Secretaria de Saúde diz que paciente chegou no sábado (21), transferido em estado grave. MPPE recebeu lista com mais de 90 menores a espera de leito de UTI.


Mãe segurando a mão de seu bebê, internado / Reprodução do g1.


Um bebê de 11 meses morreu à espera de um leito de UTI, na emergência pediátrica do Hospital Barão de Lucena (HBL), na Iputinga, na Zona Oeste do Recife. A criança morreu na segunda-feira (23) e a informação foi confirmada pela Secretaria Estadual de Saúde (SES) nesta terça (24), em meio à crise de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) infantis.


O bebê sofria de doenças respiratórias, conforme informou a SES, por meio de nota. A secretaria informou que o menino morreu às 9h53 da segunda-feira (23), aguardando pelo leito de UTI. No entanto, a secretaria havia negado, ao meio-dia da segunda, o registro de falecimento na emergência.


Na segunda, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) recebeu uma lista enviada pelo governo com 93 menores aguardando uma vaga em leito de UTI no estado, sendo 80 para pacientes com Síndrome Respiratória Aguda Grave.


O paciente tinha sido transferido da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Curado, na Zona Oeste, e chegou ao HBL no sábado (21), com quadro de insuficiência respiratória e em estado grave, segundo a SES.


"Foi internado de imediato, com diagnóstico de bronquiolite viral aguda, anemia e pneumonia", afirmou a secretaria.


O bebê foi intubado e colocado em ventilação mecânica. Ainda de acordo com a nota, ele estava com acesso venoso central, por onde recebia as medicações. A secretaria informou que o bebê, na segunda-feira (23), "apresentou bradicardia, tendo parada cardíaca, sem resposta às manobras".


A secretaria afirmou que a criança nasceu prematura, com 28 semanas, e tinha passado três meses internada numa UTI neonatal por conta disso. "A direção da unidade se solidariza com a família nesse momento de dor", informou.


Espera e angústia


A angústia devido à espera por um leito de UTI tem sido mostrada pelo g1 há uma semana. Arthur Rafael Nascimento, de pouco mais de um mês, foi transferido para o HBL no sábado (21), e a família tinha esperança de ele conseguir ir para um leito de terapia intensiva.


O menino, que foi diagnosticado com bronquilite, teve cinco paradas cardiorrespiratórias ainda na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), contou a mãe, Júlia Silva.


"O coração está na mão, até agora nada do leito de UTI", contou Júlia nesta terça-feira (24), acrescentando que o filho ainda tem dificuldades de respirar.


Além de Arthur, quem também estava no HBL esperando um leito de terapia intensiva era Ravi Van Egmond Silva, também de pouco mais de um mês. "Ele foi transferido para o [Hospital] Maria Lucinda, mas não pude ficar lá porque é uma UTI", contou a mãe do menino, a pedagoga Gicely Van Egmond Silva.


A transferência, contou a mãe, aconteceu já no fina da noite da segunda (23), depois de a família também acionar o MPPE para tentar conseguir o leito.


As duas mães estão estre as que denunciaram a falta de cirurgião pediátrico no Hospital Barão de Lucena durante o final de semana, para realizar o acesso venoso central para que as crianças recebessem as medicações. A situação foi resolvida na segunda-feira (23).


Doenças respiratórias em alta


Na quarta (18), o secretário de Saúde, André Longo, afirmou que houve um aumento de casos de doenças respiratórias como nunca havia sido visto, com um maior grau de severidade e também com maior frequência de solicitação de leitos pediátricos.


Diante dessa crise, Sociedade Brasileira de Imunologia recomendou que pais e responsáveis evitassem tirar crianças pequenas de casa nos próximos dias, sobretudo, por causa de doenças respiratórias.


MPPE


Por nota, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) informou que, "não havendo leito de UTI na rede própria ou conveniada, o estado de Pernambuco tem o dever de promover a obtenção de leito em UTI na rede privada, sob pena de multa ou de incorrer o gestor responsável nas sanções cíveis e criminais".


O MPPE informou, também, que a Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde da Capital apura também a denúncia de falta de neonatologistas no Hospital Barão de Lucena e que, no inquérito civil, consta que o problema persiste desde 2018 e que "ainda persiste e se revela de forma mais enfática na situação atual".


Resposta


Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) apontou que tem 273 leitos infantis, sendo 136 de UTI e 137 de enfermaria. "No entanto, o cenário atual extrapola qualquer planejamento e o número de solicitações de UTI para crianças teve aumento de três vezes em relação à sazonalidade do ano passado", disse a SES no texto.


A secretaria também afirmou que abriu 40 leitos de UTI pediátrica entre os dias 17 e 20 de maio e que á previsão de abrir outros 20 novos leitos de UTI até a terça-feira (24). "Ainda nesta semana, foi acertado junto à rede contratualizada outros dez leitos no Hospital Memorial Guararapes, em Jaboatão dos Guararapes e dez no Jesus Pequenino, em Bezerros [no Agreste]", afirmou.


O governo estadual também afirmou que convocou 369 profissionais de saúde concursados, entre os quais 14 médicos pediatras e 46 fisioterapeutas, que irão reforçar os plantões em unidades de referência em pediatria, como o Barão de Lucena.


FONTE: G1.



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