Publicada em 01/08/2022 às 08h59.
Giovana Ewbank sobre racismo: 'Muito cruel pensar que Titi e Bless, que têm 9 e 7 anos, já têm que ser fortes'
Os atores Giovanna Ewbank e Bruno Gagliasso falaram sobre o episódio em que dois filhos do casal, Titi e Bless, foram vítimas de racismo, no último sábado (30), em uma praia de Portugal.


Bruno, Giovanna e os três filhos / Reprodução do google.


Em uma entrevista exclusiva ao Fantástico, os atores Giovanna Ewbank e Bruno Gagliasso falaram sobre o episódio em que dois filhos do casal, Titi e Bless, foram vítimas de racismo, neste sábado (30), em uma praia de Portugal.


A família estava em um restaurante quando uma cliente, branca, atacou as crianças de 7 e 9 anos de forma covarde, com xingamentos racistas. Uma família de turistas angolanos, que estava perto, também sofreu ofensas. Em imagens que viralizaram nas redes, Giovanna confronta a mulher firmemente.


"Foi a primeira vez que a minha filha me viu combatendo o racismo de frente, porque a gente fala muito sobre isso com eles, mas ela nunca tinha me visto combatendo de frente como foi feito. Ela ficou muito assustada. O Bless não percebeu muita coisa, porque ele estava brincando. Mas a Titi entendeu tudo", conta.


Muito emocionada, Ewbank chorou ao falar sobre o racismo sofrido pelos filhos. Ela também ressaltou o fato de ter conseguido defender os filhos sem sofrer represálias por ser branca.


"É muito cruel pensar que Titi e Bless, que têm 9 e 7 anos, já tem que ser fortes. Que eles já precisam ser preparados para combater o racismo, sendo que com 9 e 7 anos são duas crianças que teriam que estar vivendo sem pensar em absolutamente nada", lamenta.

 


Entrevista com Maju Coutinho / Reprodução do google.


Maju Coutinho conversou com o casal sobre o episódio traumático:


Maju Coutinho: Bruno e Giovanna, obrigada por estarem aqui com a gente neste domingo (31), nesse dia, imagino, difícil pra vocês e para os seus filhos. Eu gostaria de saber o que aconteceu na tarde de sábado (30), aí em Portugal?


Bruno Gagliasso: A gente foi para um restaurante conhecido, que fica na praia.


Giovanna Ewbank: Inclusive, é um restaurante que a gente gosta muito de ir, porque a gente sempre encontra muitas pessoas pretas no restaurante. Para os nossos filhos, a gente acha muito importante estarem em ambientes com pessoas pretas.


Bruno: E eles estão na praia brincando e, de repente, uma das crianças subiu e falou para gente o que tinha acontecido. E aí a gente ficou chateado, bem chateado. E começou... E vocês viram aquelas imagens.


Giovanna contou o que aconteceu e reproduziu o que escutou.


Giovanna: A mulher estava dizendo muitas coisas. Entre elas, dizendo “pretos imundos”, "voltem para a África".


Bruno: “Portugal não é o lugar para vocês, vão embora daqui”.


Em vídeos que viralizaram nas redes sociais, Giovanna aparece enfrentando a mulher.


Giovanna: Acho que ela nunca esperava que uma mulher branca fosse combatê-la como eu fui, daquela maneira. Eu sei que eu, como mulher branca, indo lá confrontá-la, a minha fala vai ser validada. Eu não vou sair com a louca, a raivosa, como acontece com tantas outras mães pretas, que são leoas todos os dias, assim como eu fui nesse episódio.


Bruno: O que será que teria acontecido se fôssemos pretos, eu minha mulher?


Giovanna: Teria essa atenção toda se fôssemos pais pretos de crianças pretas?


Fantástico fez essas perguntas para Carla Akotirene, doutora em Estudos de Gênero, Mulheres e Feminismos da UFBA. Ela explica que "diariamente, homens negros e mulheres negras, que são chefes de família, tentam defender seus filhos e, ainda assim, são criminalizados."


Maju: Em 2017, vocês deram uma entrevista aqui para o Fantástico para falar sobre o racismo sofrido, sobre os ataques que sofreram aquela época. Giovanna, você comentou que se sentia despreparada para enfrentar o racismo. O que mudou desde lá?


Giovanna: Mudou tudo, Maju. Hoje eu sou uma mulher muito consciente dos meus privilégios, eu sou uma mulher que está sempre rodeada de outras mulheres pretas, aprendendo diariamente. Vou fazer jus ao privilégio branco e vou combater de frente.


Confira o momento da discussão.


O correspondente do Fantástico em Portugal, Leonardo Monteiro, esteve na praia onde a mulher realizou os ataques - e conversou com testemunhas. Elas contaram que a agressora já estava discutindo com atendentes antes dos atos racistas.


Por nota, a direção do restaurante repudiou a conduta racista da mulher e se colocou à disposição para fornecer as imagens gravadas pelas câmeras de segurança. E o consulado brasileiro, também por nota, ofereceu assistência jurídica.

A mulher foi levada para uma delegacia da Guarda Nacional Republicana, bem perto da praia onde Bruno e Giovanna estavam com os filhos. Ela prestou depoimento, foi identificada e depois liberada. Agora, o casal tem até seis meses para apresentar uma queixa crime formal às autoridades portuguesas.


De acordo com o advogado especialista em Direitos Humanos Hélio Gustavo Alves, esse crime racial tem previsão no Código Penal português, no artigo 240. Dependendo de como a corte portuguesa enquadrar, a mulher pode pegar uma pena de 6 meses a 5 anos de prisão.

Fantástico não conseguiu contato com a agressora responsável pelos ataques racistas aos filhos de Giovanna Ewbank e Bruno Gagliasso.


FONTE: G1.



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