Publicada em 05/08/2022 às 08h43.
Taiwan: como é a estratégia 'porco-espinho' criada pela ilha para se defender de possível invasão da China
China conta com superioridade militar avassaladora em relação a Taiwan, razão pela qual país baseia sua defesa na chamada estratégia do "porco-espinho".


Exército de Taiwan / Reprodução do google.


A China está realizando os maiores exercícios militares de sua história ao longo da costa de Taiwan, ilha que considera parte de seu território.


As manobras, que Pequim lançou em resposta à visita da presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Nancy Pelosi, à ilha, incluem disparos de mísseis no mar e incursões no espaço aéreo de Taiwan.


Há décadas, a tensão entre China e Taiwan vem crescendo, tanto que a possibilidade de uma invasão do poderoso Exército de Libertação Popular chinês é algo que poucos descartam.


Se a China invadisse Taiwan, seria desencadeada uma guerra assimétrica, ou seja, um conflito em que uma das partes tem uma força militar muito superior à do adversário.


É o tipo de guerra que estamos vendo entre a Rússia e a Ucrânia, e isso nos mostrou que o desequilíbrio de forças nem sempre é reproduzido nos resultados em campo.


Seria muito diferente no caso de uma invasão chinesa a Taiwan?


Defenda-se como um porco-espinho




China — com uma população de 1,4 bilhão de habitantes, contra 24,5 milhões de Taiwan — tem um orçamento de defesa 13 vezes maior que a ilha vizinha, e também a supera amplamente em tropas, equipamentos e armas.


Consciente de sua desvantagem em uma guerra assimétrica, Taiwan adota a chamada "estratégia porco-espinho".


Quando se sente em perigo, o porco-espinho solta seus espinhos para deter predadores mais fortes.


"A dor de pisar nos espinhos do animal se torna o principal impedimento para esmagá-lo", explica um editorial do jornal Taipei Times.


E, se o predador ainda assim decide atacar o porco-espinho, sofrerá uma punição dolorosa e acabará desistindo.


A estratégia de Taipei é baseada nesses pressupostos, e foi confirmada em sua Revisão Quadrienal de Defesa de 2021.


"Resistir ao inimigo na margem oposta, atacá-lo no mar, destruí-lo na zona costeira e aniquilá-lo na cabeça de ponte", é o que propõe esse manual.


Para enfrentar uma guerra assimétrica, Taiwan não considera prioritário adquirir caças e submarinos caros, mas sim implantar armas defensivas móveis e ocultas, como mísseis antiaéreos e antinavio.


Três camadas de espinhos para a China


Zeno Leoni, especialista em ordem internacional, defesa e relações entre China e Ocidente da Universidade King's College London, no Reino Unido, analisou as três camadas que compõem a estratégia porco-espinho taiwanesa.


"A camada externa é de inteligência e reconhecimento para garantir que as forças de defesa estejam totalmente preparadas", explicou ele em artigo sobre a doutrina de defesa de Taiwan para o site de notícias acadêmicas The Conversation.


Durante décadas, Taiwan desenvolveu um sofisticado sistema de alerta precoce para evitar o efeito surpresa de um possível ataque relâmpago da China.


Assim, Pequim "teria que iniciar qualquer invasão com uma ofensiva baseada em mísseis de médio alcance e ataques aéreos para eliminar as instalações de radar, pistas de pouso e as baterias de mísseis de Taiwan".


Para responder a um ataque desse tipo, a camada intermediária do porco-espinho consiste no destacamento de forças navais para uma guerra de guerrilha em pleno mar com o apoio de aeronaves de combate fornecidas pelos Estados Unidos, segundo o especialista.


Embarcações pequenas e ágeis armadas com mísseis e auxiliadas por helicópteros e lançadores de mísseis em terra tentariam impedir que a frota do Exército chinês chegasse ao território taiwanês.


Ou que, se conseguisse, pagaria um alto preço em perdas humanas e materiais.


"A geografia e a população são a espinha dorsal da terceira camada defensiva", explica Leoni.


O complexo terreno de Formosa, com montanhas escarpadas, poucas praias aptas para desembarque e grande parte de seu território urbanizado, daria vantagem aos defensores e poderia multiplicar as baixas do invasor.


Além disso, apesar do poderoso Exército chinês ser até 12 vezes mais numeroso em tropas do que o de Taiwan, o taiwanês conta com mais de 1,5 milhão de reservistas que entrariam em combate se as tropas chinesas tentassem invadir o país.


Armas móveis, versáteis e fáceis de ocultar ??também seriam cruciais na terceira camada, como demonstrado na Ucrânia com os sistemas portáteis de mísseis Javelin e Stinger, que têm sido um pesadelo para os aviões e tanques russos.



Região entre China e Taiwan / Reprodução do g1.


O que os EUA fariam?


E, se a China decidir invadir Taiwan, os Estados Unidos entrariam na guerra? Enviariam tropas ou armamento? Tomariam outros tipos de medidas?


A verdade é que não sabemos, e os EUA não querem que a gente saiba.


Enquanto Taipei aperfeiçoa sua estratégia de porco-espinho, Washington se apega à chamada "ambiguidade estratégica" em suas relações com a China e Taiwan.


Isso significa que os Estados Unidos ocultam intencionalmente seus planos de ação no caso de a China invadir Taiwan.


"De alguma maneira, essa ambiguidade (...) nos permitiu manter a paz e a estabilidade no Estreito de Taiwan por várias décadas e em vários governos", declarou recentemente o assessor de segurança nacional da Casa Branca, Jake Sullivan.


FONTE: G1.



Os comentários abaixo não representam a opinião do Portal Nova Mais. A responsabilidade é do autor da mensagem.
TODOS OS COMENTÁRIOS (0)



Login pelo facebook
Postar
 
Curiosidades
Policia
Pernambuco
Fofoca
Política
Esportes
Brasil e Mundo
Tecnologia
 
Nova + © 2026
Desenvolvido por RODRIGOTI