
Autor do projeto, Victor Maia / Reprodução: Folha de Pernambuco.
O sonho de ajudar pessoas a tratar doenças é o que vem impulsionando o jovem pernambucano Victor Maia. Aos 20 anos, o garoto que cresceu no Alto José do Pinho, na Zona Norte do Recife, criou uma plataforma global e gratuita chamada HexBR, que busca ajudar pessoas que sofrem com artrite a encontrar exercícios que se adéquem as suas necessidades.
Ex- aluno do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco (IFPE), o rapaz conquistou uma bolsa de 100% para estudar na Universidade de Stanford, na Califórnia, e lá acabou desenvolvendo o projeto que já atende mais de 200 pacientes no mundo.
O interesse do jovem pela área de pesquisa em saúde veio
na adolescência, após perder a avó, vítima de câncer de pele. “Este é um câncer
detectável e curável, mas como a rede pública não tinha o suporte para fazer o
diagnóstico a tempo, a gente só não viu o problema. Aquilo ficou na minha
cabeça. Pessoas do mundo todo sofrem com coisas que dá para curar, tratar
e ajudar porque sistemas de saúde não conseguem comportar todo mundo”, explica
o rapaz.
Durante o período de luto, Victor acabou criando sua primeira startup com o DocAssiste - um equipamento de baixo custo para diagnóstico de câncer de pele que chegou a ser premiado pela universidade de Harvard. Após o reconhecimento, Victor decidiu aplicar a candidatura para a Universidade da Pensilvânia e, com a aprovação, foi cursar Bioengenharia e Negócios. "Eu sempre fui uma criança engenheira. Queria criar coisas para ajudar pessoas, queria trabalhar com ciência", contou. Para dar vida ao sonho, Victor recebeu uma bolsa da fundação Estudar - uma ONG de São Paulo para conseguir os valores necessários para a aplicação à universidade estadunidense.
A fundação da HexBR, veio no início de 2022. A ideia surgiu durante uma aula da universidade em que o jovem precisou analisar o custo de doenças crônicas para os Estados Unidos. A primeira do ranking era diabetes, em segundo lugar, doenças do coração e em terceiro, artrite. "Fiquei confuso. Como que artrite, uma coisa que minha tia tinha na perna custava 70 bilhões de dólares por ano para um só um país?". Ao analisar outros locais, Victor percebeu que a grande maioria dos pacientes com artrite não tinha acesso ao tratamento básico da doença. "Eles não tinham uma ajuda com exercício, alimentação, entre outras coisas, e eles estavam meio largados quanto a isso", assim, com a ajuda de amigos, decidiu criar a HexBR.
"A ideia era fazer exercícios personalizados. Uma
fisioterapia que fosse 100% digital, personalizada e gratuita para qualquer um
que tenha um celular", com amigos da faculdade, o rapaz criou um
algoritmo, alimentado pelas informações fornecidas pelos próprios pacientes,
para encontrar exercícios que se adéquem as suas necessidades. Atualmente, a
equipe conta com cerca de 22 pessoas, em nove diferentes países. “A gente fez o
mais simples possível para ser mais rápido de fazer e conseguir chegar [aos
pacientes] sem depender de uma internet muito forte, chegando de forma mais
eficiente nas pessoas”, explicou.
“A gente tem que alçar pessoas em países e lugares que são muito complicados de chegar. O meio mais eficiente que encontramos [de chegar nessas pessoas] foi através de associações. Como artrite é muito negligenciada no mundo inteiro, essas pessoas se unem para advogar pela sua própria causa”, explica Victor.
O grupo começou com esse processo de entrar em contato no Brasil e cresceu para outros países na Ásia e Europa. Em parceria com a ONG Zoé, o recifense conseguiu também levar a iniciativa para comunidades na Amazônia, nas cidades de Santarém, Aveiro e Abaré, no Pará, atendendo mais de 30 pacientes que sofrem com a enfermidade.
“Podemos sentar e montar um plano de ação, conversamos
com o médico dessas pessoas e conseguimos imprimir o material e botar tudo em
uma barca e levar [o HexBR] para as comunidades carentes no interior da
Amazônia”, relata o rapaz, com orgulho.
Os sintomas mais comuns são dores, edema, calor e vermelhidão em qualquer articulação do corpo, mas principalmente, nas mãos e nos punhos. De acordo com a SBR as articulações inflamadas provocam rigidez matinal, fadiga e com, a progressão da doença, há destruição da cartilagem articular, fazendo com que os pacientes desenvolvam deformidades e até sejam incapazes de realizar atividades comuns do dia a dia.
FONTE: FOLHA DE PERNAMBUCO.