Publicada em 19/09/2022 às 09h51.
Além de salário de R$ 33,7 mil, de outros R$ 112 mil mensais para contratação de assessores e de mais uma cota que varia de R$ 31 mil a R$ 46 mil para gastos com aluguel de escritório, alimentação, passagens aéreas e gasolina, entre outros, os deputados federais têm ainda direito a moradia em Brasília.

Deputado federal, Eduardo Bolsonaro (PL-SP) / Reprodução: Notícias ao Minuto.
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e outros
cinco colegas recebem auxílio-moradia turbinado dos cofres da Câmara, de R$ 6.000
ao mês para cada um deles.
Os seis parlamentares se utilizam de uma brecha aberta em 2015, na gestão do
ex-deputado Eduardo Cunha (PTB-SP), que permitiu transferir da cota de gastos
exclusivos com a atividade parlamentar um extra de R$ 1.747 para pagamento de
aluguel dos deputados.
Além de salário de R$ 33,7 mil, de outros R$ 112 mil mensais para contratação
de assessores e de mais uma cota que varia de R$ 31 mil a R$ 46 mil para gastos
com aluguel de escritório, alimentação, passagens aéreas e gasolina, entre
outros, os deputados federais têm ainda direito a moradia em Brasília.
Dos 513 parlamentares, 364 ocupam atualmente os amplos apartamentos funcionais
(quatro quartos) nas Asas Norte e Sul da capital federal –não há imóveis
disponíveis para todos, são 432 para um total de 513 deputados, sendo que
alguns estão sem condições razoáveis de uso.
Para os demais, há disponível uma verba mensal de até R$ 4.253.
Esse valor é liberado de duas formas.
A primeira, escolhida por 42 deputados, é receber em dinheiro, descontado o
Imposto de Renda, sem necessidade de apresentar qualquer comprovação de gasto
com aluguel.
A segunda pode liberar os R$ 4.253 de forma integral, desde que haja
apresentação de comprovação de gasto com moradia –72 deputados recebem
reembolso.
Essa última categoria tem embutida uma brecha que permite reembolso extra para
além dos R$ 4.253. Dos 72 parlamentares, 26 recorrem a ela, sendo que seis
receberam em agosto o teto, que é de R$ 6.000.
Além do filho do presidente Jair Bolsonaro (PL), os deputados Marcos Aurélio
Sampaio (PSD), Marcos Pereira (Republicanos), Marina Santos (Republicanos),
Nicoletti (União Brasil) e Shéridan (PSDB) também foram beneficiados pelo valor
máximo.
Procurados, eles não quiseram se manifestar.
Eduardo Bolsonaro mora com a mulher e a filha em um condomínio fechado, em
Brasília.
Em 2015, na gestão de Cunha, a Mesa da Câmara baixou um ato permitindo que
parlamentares engordassem seu reembolso de aluguel com sobras da cota destinada
exclusivamente para custeio da atividade parlamentar.
A justificativa foi a de estabelecer isonomia entre os parlamentares que usam o
apartamento funcional e os que não conseguem vaga.
"Pesquisas em sites especializados apontam com clareza que o custo, em
Brasília, de aluguel de imóvel em padrão semelhante ao dos apartamentos
funcionais ultrapassa significativamente o valor estabelecido pela Casa para o
benefício", afirmou a justificativa do ato.
A norma, então, permitiu o uso de R$ 1.747 da cota parlamentar para complemento
do aluguel.
Trinta e cinco deputados federais optam por não usar nem apartamento funcional
nem auxílio-moradia.
Em 2018, a Folha mostrou que Eduardo e seu pai, o então presidenciável Jair
Bolsonaro, que também era deputado federal, recebiam, cada um, R$ 3.083 todo
mês de auxílio-moradia mesmo a família tendo imóvel próprio em Brasília e
outros 12 no Rio de Janeiro.
O valor recebido por pai e filho à época era em espécie, sem necessidade de
apresentação de qualquer recibo (R$ 4.253, descontados 27,5% de Imposto de
Renda).
Jair Bolsonaro recebia da Câmara o auxílio-moradia desde outubro de 1995,
ininterruptamente. Eduardo, desde fevereiro de 2015, quando tomou posse em seu
primeiro mandato como deputado.
Ao todo, pai e filho embolsaram R$ 730 mil até dezembro de 2017 , em valores
sem correção.
A Folha procurou todos os 26 parlamentares que pedem ou pediram, em 2022, reembolso
de auxílio-moradia além de R$ 4.253.
"Tenho um complemento de R$ 247. Alugueis em Brasília são muito caros, e
eu fico em um flat próximo à Câmara. Como ando de táxi, termino economizando
[para os cofres públicos]", disse Gervásio Maia (PSB-PB).
Jerônimo Goergen (PP-RS) disse alugar um flat em Brasília com custo total de R$
5.100, razão pela qual pede o reembolso
Eli Corrêa Filho (União Brasil-SP) disse que realiza uma pequena complementação
fruto da economia que faz na cota parlamentar. "Houve reajuste das diárias
dos hotéis, sem que houvesse a mesma atualização do valor do auxílio."
Bozzella (União Brasil-SP) afirmou que não solicita reembolso de despesas com
alimentação e que também abriu mão da aposentadoria vitalícia e outros
penduricalhos.
"Contudo, auxílio moradia não é penduricalho. Os parlamentares saem das
suas cidades para trabalhar a quilômetros de distância de suas residências e
precisam de um lugar para morar. Infelizmente, a quantidade de imóveis
funcionais disponibilizada aos deputados é insuficiente e, talvez até por esse
motivo, o valor cobrado pelos aluguéis em Brasília é extremamente alto",
afirmou.
Marcelo Nilo (Republicanos-BA) disse considerar o valor do auxílio insuficiente
para os custos com moradia.
Patrus Ananias (PT-MG) afirmou, por meio de sua assessoria, que utiliza apenas
R$ 147 a mais da cota extra e que não solicita ressarcimento do gasto com
alimentação.
FONTE: NOTÍCIAS AO MINUTO.
Os comentários abaixo não representam a opinião do Portal Nova Mais. A responsabilidade é do autor da mensagem.