
Imagem meramente ilustrativa / Reprodução: Notícias ao Minuto.
Uma pesquisa inédita da organização não governamental
(ONG) Retina Brasil, com apoio da Roche Farma Brasil, alerta que as
dificuldades no diagnóstico da degeneração macular relacionada à idade (DMRI)
ocorrem, principalmente, pela pouca informação do paciente sobre a doença e
pela demora para iniciar o tratamento.
Com o envelhecimento da população brasileira, a DMRI
torna-se mais prevalente. A doença afeta a área central da retina (chamada
mácula) e representa a principal causa de cegueira irreversível em indivíduos
com mais de 50 anos nos países desenvolvidos, informa o Ministério da Saúde.
A pesquisa, que ouviu 100 pessoas com DMRI de todo o
Brasil, revela que 81% encontraram barreiras para chegar ao diagnóstico. As
principais dificuldades foram a demora para procurar um médico por achar que os
sintomas não eram relevantes (59%), a falta de acesso a especialistas (17%) e o
medo do diagnóstico (7%). Dificuldades financeiras ou para marcar consultas e
realizar exames e falta de acompanhante também foram citadas pelos
entrevistados.
A pesquisa, que ouviu 100 pessoas com DMRI de todo o
Brasil, revela que 81% encontraram barreiras para chegar ao diagnóstico. As
principais dificuldades foram a demora para procurar um médico por achar que os
sintomas não eram relevantes (59%), a falta de acesso a especialistas (17%) e o
medo do diagnóstico (7%). Dificuldades financeiras ou para marcar consultas e
realizar exames e falta de acompanhante também foram citadas pelos
entrevistados.
Com a progressão da doença, ocorre perda gradual da
visão, que pode levar à cegueira total. Os indivíduos com DMRI devem ser
examinados e acompanhados periodicamente por um especialista, pois a doença
pode se agravar.
“É essencial que seja implantado o protocolo de
atendimento no SUS [Sistema Único de Saúde] e na saúde suplementar para a boa
gestão do tratamento para preservar a visão e a qualidade de vida. Programas de
detecção precoce da doença, facilitação do fluxo dos exames e agilidade para o
início do tratamento permitem melhores resultados visuais e otimização da
capacidade funcional e independência do idoso”, afirma a médica e professora
Juliana Sallum, oftalmologista especializada em retina e genética ocular da
Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)
Os principais sintomas da degeneração macular relacionada
à idade são: visão embaçada, com piora lenta e progressiva, que dificulta
enxergar de perto e de longe; prejuízo na capacidade de executar trabalhos
detalhados; aparecimento de pontos cegos na visão central e percepção de
distorção de linhas. Quando a neovascularização se inicia, o paciente nota
piora acentuada e abrupta dos sintomas. Nesse momento, deve começar o
tratamento para minimizar a perda visual.
Estima-se que um terço dos adultos acima de 75 anos tem
DMRI. Além disso, as mulheres têm mais risco de desenvolver a doença do que os
homens, justamente em razão da maior expectativa de vida.
“A DMRI é uma doença degenerativa da retina,
especialmente da área macular. A idade é o principal fator de risco. Já o
tabagismo é um fator predisponente”, diz a oftalmologista.
Alguns hábitos saudáveis auxiliam na prevenção da DMRI e são recomendáveis, informa a especialista. “O primeiro [hábito] seria não fumar, pois o tabagismo é o principal fator de risco modificável, assim como proteger-se do sol com óculos escuros e chapéu. Também é indicada uma dieta rica em frutas e vegetais. Alguns estudos apontam benefícios na suplementação de luteína, zeaxantina, zinco e cobre para a prevenção de formas mais graves da doença.”
O tratamento para a forma úmida consiste em injeções
intravítreas de anti-VEGF, por meio de injeções intraoculares periódicas, para
evitar o dano causado pelo crescimento de complexos neovasculares
sub-retinianos.
“Trata-se de uma classe de medicamentos que inibem o
VEGF, que é um fator de crescimento de vasos. A retina degenerada estimula a
produção de VEGF para formar novos vasos. Mas estes têm a parede frágil,
sangram e alteram o tecido retiniano, levando à formação de uma lesão. O
paciente percebe como uma mancha que altera a visão central. O tratamento
anti-VEGF visa diminuir e controlar esta lesão macular”, detalha Juliana.
Além da falta de informação, que faz com que as pessoas
não percebam que a visão está sendo afetada, a pesquisa revela desconhecimento
delas sobre sua própria condição, mesmo após o diagnóstico: 10% das pessoas
ouvidas não souberam dizer se tinham DMRI seca ou úmida, informação relevante
para os cuidados adequados, já que a forma úmida tem opções de tratamento.
Segundo a vice-presidente da Retina Brasil e uma das
autoras da pesquisa, Maria Antonieta Leopoldi, a desinformação pode ser
atribuída a três fatores: falta de escolaridade do paciente, impacto emocional
no momento de ouvir o diagnóstico e falta de o médico comunicar o nome e as
características da doença.
“Não é uma doença rara; é uma doença prevalente”, alerta
Antonieta. “A desigualdade social do país se apresenta também no sistema de
saúde, com diferenças enormes entre o atendimento público e o privado, na forma
de obter o diagnóstico e tratar a DMRI. É preciso que as pessoas sejam atendidas
cada vez mais rápido e melhor em ambos os serviços”, reforça.
A pesquisa indica necessidade de acompanhamento médico
mais adequado para os pacientes. Perguntados sobre o que teria facilitado sua
jornada, 38% citaram o fato de terem procurado um especialista no início dos
sintomas, 17% disseram que teriam sido beneficiados se tivessem conseguido
tratamento precoce e acessível, 10% queriam ter tido acesso a especialistas no
início da doença e 8% responderam que ter mais acesso a informação teria sido benéfico.
Chama a atenção o fato de que 27% não souberam explicar ou responder.
Outro dado mostra que 32% dos pacientes afirmaram não ter
tido informações do médico sobre a DMRI e sobre como conviver com a doença após
o diagnóstico. A pesquisa revela ainda que somente 15% das pessoas com DMRI
entendem que vivem um novo contexto, uma nova identidade e tentam se adaptar à
nova vida com baixa visão.