Publicada em 18/03/2018 às 10h19.
Produção de ovos pode crescer 15% este ano, diz Avipe
Setor movimenta R$ 3,5 bilhões por ano e emprega 150 mil pessoas.

No ano passado, Pernambuco produziu 10 milhões de ovos por dia / Foto: Pixabay

Foto: Pixabay
BIANCA BION
btrajano@jc.com.br

Após a seca dar uma trégua, a produção pecuária cresceu 3,1% em Pernambuco no ano passado, segundo o levantamento do Produto Interno Bruto (PIB) realizado pela Condepe/Fidem e divulgado na última semana. O destaque especial foi para a avicultura, com alta de 9% na produção de carne de frango e de 5,3% na produção de ovos. Este ano, a expectativa também é positiva para o setor local, que movimenta R$ 3,5 bilhões por ano e emprega 150 mil pessoas.


A Avipe espera incremento de 15% na produção de ovos, que ficou em 10 milhões por dia, no ano passado, o que coloca o Estado como o quarto maior produtor de ovos do País e o primeiro do Nordeste. Em relação à produção de carne, a previsão da Avipe é de crescimento de 4%.


 

“O Estado consome muito e também atende a todo Nordeste. A Organização Mundial da Saúde preconiza o consumo de um ovo por dia. Aqui, no Brasil, o consumo é de 200 ovos por ano. Então, ainda existe uma expectativa de crescimento de consumo. Já o consumo da carne de frango é estável no Estado, temos uma produção de 42 milhões de quilos de carne por mês”, afirma o diretor administrativo da Avipe, Edval Veras.


Para o proprietário da granja Ovo Novo, Josimário Florencio, a maior procura por ovo se deve ao fato de as pessoas estarem buscando uma vida mais saudável. “O ovo passou de bandido a mocinho. Estamos fazendo trabalho junto a academias, fisiculturistas, nutricionistas para conscientizar”, explica. Na sua granja são produzidos 400 mil ovos por dia. No ano passado, a empresa cresceu em torno de 15%.


Em 2017, a avicultura teve um cenário positivo devido ao aumento das chuvas e de queda no preço do milho e da soja – insumos da produção – com a super safra. O preço da saca de 60 quilos de milho caiu de R$ 45 para R$ 35 em 2017. Este ano, com a quebra da safra de milho na Argentina e a incerteza quanto a colheita da segunda safra no Brasil, o preço da saca pode aumentar. Hoje, gira em torno de R$ 40.


“Este ano, temos a expectativa de melhora do consumo e o receio do aumento do custo. O povo está comendo mais frango. Acredito que vai ser um ano de desempenho médio porque a gente espera aumento da demanda e que o preço do produto melhore um pouco para compensar a alta nos custos de produção. Por enquanto, estamos esperando para ver o que vai acontecer”, explica o diretor comercial da Mauricea, Marcondes Filho. A Mauricea tem cinco mil clientes ativos no Nordeste.



CARNE FRACA

Outro ponto que poderia causar receio é a deflagração da terceira etapa da Operação Carne Fraca da Polícia Federal, mas não há riscos para a imagem da avicultura em Pernambuco, segundo Edval. “100% das empresas do Estado estão registradas na Adagro. Nós não temos nenhum problema com relação à Operação Carne Fraca. A gente está fazendo tudo dentro do padrão”, diz Edval Veras. Apenas 2% da produção de carne de frango é voltada para exportação.

JC Online
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