
Foto: Divulgação.
A
morte do menino Miguel, que faleceu após cair de uma das Torres Gêmeas do
Recife, no bairro de São José, na área central da capital, completa seis anos
nesta terça-feira (2). Nas redes sociais, a mãe dele, Mirtes Renata, lamentou a
perda do filho e pediu apoio: “Não me deixem lutar sozinha”, escreveu.
Além
de lidar com o luto e a dor pela morte de Miguel, Mirtes tem travado uma
batalha judicial contra a ex-patroa, Sarí Corte Real, que estava responsável
pelo menino quando ele caiu do nono andar, após ser deixado sozinho no
elevador.
Em
maio de 2022, Sarí foi condenada a 8 anos e meio em regime fechado por abandono
de incapaz com resultado morte e tem recorrido da decisão em liberdade. A pena
foi reduzida para 7 anos em novembro de 2023.
A
liberdade de Sarí é o principal ponto de cobrança de Mirtes. Confira na íntegra
a publicação feita pela mãe de Miguel:
“É
desesperador.
6
anos sem ouvir a voz do meu filho.
6
anos sem poder abraçá-lo.
6
anos vendo recursos, adiamentos da prisão da condenada e o tempo passar diante
dos meus olhos''.
Na
semana passada, o TJPE manteve a condenação de 7 anos em regime fechado para
Sarí Corte Real por abandono de incapaz com resultado morte. A decisão só foi
mantida por um voto de diferença: 6 votos a 5. E mesmo condenada, ela continua
recorrendo em liberdade.
Eu
olho para tudo isso e me pergunto:
Quanto
tempo mais?
Quantos
anos mais uma mãe precisa esperar?
Meu
filho tinha apenas 5 anos. A Justiça já levou mais tempo para responder do que
o tempo que Miguel teve para viver. Eu tenho medo de que a lentidão vença.
Tenho
medo de que a demora se transforme em impunidade. Tenho medo de que, enquanto a
condenada segue vivendo sua vida, viajando, sorrindo e construindo novas
memórias, a história do meu filho continue presa em recursos sem fim.
Não
temos mais tempo. Junho não pode terminar sem uma resposta concreta para
Miguel. Junho não pode terminar sem que a condenada seja presa.
2026
não pode ser mais um ano de espera. Depois de quase 6 anos, eu só tenho forças
para fazer um pedido: Não me deixem lutar sozinha. Essa luta é de todos. Essa
luta precisa ser de todos. Justiça por Miguel.
@tjpeoficial*este
mês precisa terminar com uma conclusão.
#JustiçaPorMiguel”,
postou Mirtes.
*Tribunal
de Justiça de Pernambuco
O
que diz o TJPE
O
Diario de Pernambuco procurou o TJPE e aguarda retorno.
O
que diz a defesa de Sarí Corte Real
A
equipe de reportagem do Diario entrou em contato com a defesa de Sarí Corte
Real e aguarda retorno.
Relembre
Miguel
Otávio Santana da Silva morreu em 2 de junho de 2020, durante o lockdown da
pandemia de COVID-19, após cair do nono andar de um dos prédios das famosas
Torres Gêmeas do Recife, no bairro de São José. A mãe dele, Mirtes Renata,
trabalhava à época para a família de Sarí Côrte Real e Sérgio Hacker.
Momentos
antes da morte de Miguel, Mirtes desceu do edifício para passear com o cachorro
da patroa. Miguel ficou sob os cuidados de Sarí, que fazia as unhas em seu
apartamento. O garoto pediu pela mãe, e Sarí o deixou no elevador da unidade e
apertou o botão da cobertura.
Miguel desembarcou um tempo depois no nono andar, de onde caiu de uma altura de 35 metros. Ele não resistiu aos ferimentos e faleceu. Desde então, sua mãe continua buscando por justiça.
FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO.