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Após a proposta de novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros por parte dos Estados Unidos, o governo do presidente Lula ainda traça qual deve ser o caminho para negociação em torno de uma nova sanção do governo americano.
Uma reunião de emergência foi realizada na manhã desta terça-feira para decidir o tom da reação à medida que foi tomada pelas autoridades dos Estados Unidos.
Participaram o vice-presidente Geraldo Alckmin, além dos ministros Dario Durigan (Fazenda), Márcio Elias (Indústria e Comércio), Sidônio Palmeira (Comunicação Social), e José Guimarães (Relações Institucionais), além de representantes do Itamaraty. O chanceler Mauro Vieira não participa porque está em viagem ao exterior.
Diferente da cautela adotada após o anúncio das primeiras tarifas no ano passado, desta vez Alckmin elevou o tom, afirmando que o governo recebeu a notícia com "indignação e entende ser muito injusta”. Também pela manhã, já em clima de eleição, Lula chamou Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de “imbecil” durante evento em Catalão (GO). A decisão do governo americano foi anunciada após reunião com o candidato da oposição à presidência.
Como mostrou Fabio Graner, a retaliação é uma opção avaliada pelo governo. Áreas como propriedade intelectual, muito caras aos americanos, são citadas nos bastidores do governo entre as opções de represália à atitude de Donald Trump.
Outra opção pode ser a judicialização da compra da mineradora de terras raras, Serra Verde para uma empresa americana.
Novos mercados
Durante seu discurso nesta terça, o presidente Lula já sinalizou que pode repetir uma estratégia que foi utilizada no ano passado com o tarifaço: a diversificação de parcerias comerciais, sobretudo com a China.
Lula comemorou o reconhecimento do Brasil como livre da febre aftosa pela China,e ressaltou que a decisão do governo chinês veio da proposta de tarifa dos Estados Unidos.
— Mas como Deus escreve certo por linhas tortas, nada acontece de graça. O que aconteceu hoje para se contrapor a medida do (Donald) Trump (presidente dos EUA)? A China aceitou que o Brasil está nacionalmente livre da febre aftosa, que a nossa carne está livre para o mercado chinês. Então, veja, eu tenho muita sorte, eu não vou ficar chorando. Se você não quer comprar de mim, pode ficar com suas coisas, eu vou vender para outro — afirmou Lula .
No ano passado, mesmo com o tarifaço de Donald Trump, as exportações totais brasileiras aumentaram 3,5% em relação ao ano anterior, atingindo o recorde da série histórica, mas para os Estados Unidos, as vendas caíram 6,6%. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio (Mdic).
As exportações para os Estados Unidos, por outro lado, diminuíram 6,6%. O resultado, no entanto, é menor que o esperado logo no início do tarifaço contra o Brasil, que chegou a 50% sobre vários produtos e depois teve o alcance reduzido com o início de negociações lideradas pessoalmente pelos presidentes Lula e Trump. Já as exportações para China cresceram em 6%.
Negociação
Mesmo com a insatisfação, o governo ainda tem pregado que o diálogo deve ser o
caminho para tentar reverter a possível tarifa.
Questionado sobre quais serão os próximos passos do governo brasileiro para reverter as possíveis taxas, o vice-presidente Alckmin mencionou que o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, participa nesta quarta de evento da da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris, onde também estará o embaixador Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos (USTR).
À CBN, Durigan disse na segunda que tentaria entrar em contato com o governo americano nesta semana para tratar sobre a decisão. Mais tarde, em entrevista ao SBT News, o ministro reiterou que “não tem problema” em ligar para o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, mas afirmou que fará isso no seu tempo.
FONTE: FOLHA PE.