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Reeleito para o quinto mandato na Câmara de Representantes do estado de Massachusetts, nos Estados Unidos da América, o pernambucano Danillo Sena, de 40 anos, é um dos símbolos da força do Partido Democrata que ampliou o espaço nas eleições de meio de mandato, chamadas de “midterms”, realizadas no país na última terça-feira (3) e se tornou maioria no Senado e Câmara dos Representantes.
Nascido em Timbaúba, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, Dan Sena, como é conhecido, vive nos Estados Unidos desde os 14 anos, quando se mudou com a mãe para a cidade de Acton, já no estado onde viria a atuar como deputado.
Lá, se graduou em Ciência Política, pela Universidade de Massachusetts Amherst, em 2013, além de casar com Melinda Yim, refugiada cambojana que conheceu durante os estudos no Middlesex Community College. Juntos, eles têm três filhos: Juliana, Leonardo e Matteo, de 5, 7 e 12 anos.
Após a formação passou a atuar diretamente na política, até que surgiu a oportunidade de ser candidato. Eleito pela primeira vez para um mandato tampão de seis meses, em junho de 2020, ele representa o 37º distrito de Middlesex.
Em entrevista à Folha de Pernambuco, o parlamentar estadunidense avaliou os fatores que lhe garantiram mais uma vitória nas urnas, detalhou as prioridades da atuação e analisou o novo cenário político norte-americano após o avanço do Partido Democrata no Congresso.
Sena não se furtou de revelar a própria visão sobre as medidas federais de imigração e defendeu mudanças nas relações diplomáticas entre os governos estadunidense e brasileiro.
Confira a entrevista na
íntegra:
- Deputado, o senhor foi o primeiro brasileiro a
ocupar um assento na Câmara dos Representantes de Massachusetts. Como se deu
sua trajetória até a política americana e o que representa a conquista deste
quinto mandato?
“Eu sou nascido em Timbaúba, Pernambuco, e vim para cá com 14 anos de idade. Antes disso, eu tinha um tio que era vereador, Zé Canela, lá na minha cidade em Timbaúba. A política estava muito acessível desde criança. Quando cheguei aqui, acho que já queria lutar por uma certa igualdade social. Aqui estudei Ciências Políticas e, quando estava fazendo o segundo grau, conheci o senador estadual Jimmy Eldridge, me sentindo muito bem representado por ele. Fui para a faculdade, me graduei em Ciências Políticas na UMass Amherst em 2013 e, em 2014, fui trabalhar para o senador como diretor distrital dele por seis anos, cuidando da agenda e dos casos dos constituintes. Quando a deputada estadual Jennifer Benson deixou a vaga aberta, tive a oportunidade de me candidatar”.
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Ao que o senhor atribui essa renovação de confiança por parte dos eleitores de
Massachusetts e quais são as principais prioridades do seu novo mandato?
“Às pautas. Como eu trabalhava para o senador Eldridge e o nosso distrito é quase similar, eu já conhecia a população e os problemas da região. Um dos problemas atuais é a moradia, cujo custo é muito caro, e queremos que as pessoas formadas na faculdade consigam comprar a casa própria, algo que está cada vez mais difícil. No nível estadual, estamos tentando construir mais moradias para controlar essa subida de valores e ampliar o acesso. Na educação, sempre lutei pelos direitos dos estudantes de acessarem a faculdade e também pelo acesso a creches para as crianças e bebês, reduzindo seu alto custo. Quanto ao plano de saúde, queremos ampliar o acesso, pois as pessoas continuam enfrentando despesas elevadas com remédios e custos de franquia (deductible)”.
- As recentes eleições de meio de mandato (midterms) mostraram uma reação expressiva do Partido Democrata no Congresso Nacional. Como o senhor avalia o avanço da oposição diante do governo do presidente Donald Trump?
“No nível federal, estamos sob um governo atual que não me representa e não representa muitos dos meus eleitores, sendo sempre contra os imigrantes. Essa eleição de midterms teve um resultado muito positivo para os democratas, pois o nosso partido pensa nos direitos dos imigrantes, enquanto o governo federal está no extremo de querer deportar imigrantes trabalhadores. Massachusetts é um estado muito liberal e democrata. Na Câmara estadual, de 160 membros, a grande maioria — mais de 120 — são democratas, e no Senado, de 40 senadores, a maioria também é democrata”.
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O senhor considera que os efeitos da guerra no Irã e as políticas de imigração
adotadas pela Casa Branca foram determinantes para essa mudança no
comportamento do eleitor americano?
“Com certeza. O custo
de vida subiu para o americano, e essa guerra desnecessária fez o preço da
gasolina e da comida subirem, afetando diretamente o bolso de cada um. Em
termos de imigração, foi um extremo o que esse governo tentou fazer com o
imigrante trabalhador que está aqui há muitos anos tentando melhorar sua
família e o país. Como agora temos a maioria, temos também um grande poder para
definir a agenda e discutir as pautas do Partido Democrata. Vejo isso como um
grande sinal positivo para que o presidente reveja algumas de suas políticas”.
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- Qual a sua perspectiva sobre o futuro das relações diplomáticas
e econômicas entre os Estados Unidos e o Brasil, considerando episódios
recentes como a imposição de tarifas comerciais?
“Eu gostaria que o Brasil tivesse uma relação muito melhor do que a atual, pois historicamente temos uma relação muito positiva que deveria ser ampliada. Com o atual governo, parece haver uma busca por conflitos e tarifas desnecessárias com vários países. Espero que no futuro consigamos um presidente com olhares diferentes para o Brasil e a América em si”.
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O senhor mantém o vínculo com Pernambuco e com sua cidade natal, Timbaúba?
“Eu tento ir todo ano, mas esse ano ainda não fui. Mas, no ano passado estava aí, geralmente eu levo a família, meus três meninos. Eu tenho uma relação muito grande. Meu pai mora aí, tenho dois irmãos no Brasil. Uma família muito grande. Pernambuco para mim também é casa”.
FONTE: FOLHA PE.