/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2022/Y/q/eqlHCBS3KUh8SbOmTD3Q/bombeiros-no-resgate-de-um-homem-em-deslizamento-de-barreira-do-corrego-do-tiro.jpg)
Equipe do Corpo de Bombeiros no resgate de homem vítima de soterramento por barreira no Córrego do Tiro, na Zona Norte do Recife — Foto: Reprodução / TV Globo
Uma barreira deslizou no Recife nesta terça-feira (7) e deixou um adolescente morto e três pessoas feridas (veja vídeo acima). Com mais esse óbito, subiu para 129 o número de mortes provocadas pelas chuvas em Pernambuco (confira outros números da tragédia no final desta reportagem).
O deslizamento aconteceu às 4h20, após uma noite e uma madrugada de chuvas, nas ruas José Amarino dos Reis e Vencedora, no bairro Alto Santa Terezinha, na Zona Norte da capital pernambucana.
Lucas Daniel Nunes da Silva, de 13 anos, foi socorrido para a Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) de Nova Descoberta, na Zona Norte do Recife, mas chegou sem vida ao local, às 6h20, segundo a assessoria da unidade de saúde. As outras três vítimas foram resgatadas vivas dos escombros.
Quatro casas foram atingidas pelo deslizamento da barreira, segundo informações apuradas pela equipe de reportagem da TV Globo no local. Mais de 20 bombeiros, em cinco viaturas, trabalharam no resgate das vítimas nessa ocorrência, que foi finalizada às 6h50.
Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e da Defesa Civil do Recife também foram acionadas. Entre os feridos, além de duas mulheres de nomes e idades não divulgados, está um homem de 43 anos identificado como Marcos Pereira.
"Era um senhor que estava com uma fratura na perna, mas conseguimos fazer a remoção e entregamos ao Samu", afirmou o capitão do Corpo de Bombeiros, José Jorge.
Marcos foi socorrido para o Hospital da Restauração (HR), no bairro do Derby, na área central da capital pernambucana. Informações sobre o estado de saúde do paciente não foram divulgadas até a última atualização desta reportagem.
A barreira que deslizou não tinha lona de plástico. Segundo moradores ouvidos pela TV Globo, essa não foi a primeira vez que um deslizamento ocorreu no local, pois uma barreira deslizou no ano de 1993, provocando sete mortes.
Relatos de testemunhas
Um morador que não se identificou para a TV Globo afirmou que o deslizamento ocorreu rapidamente e relatou que estava dormindo quando foi acordado pelo barulho da barreira deslizando.
“Eu estava dormindo com a minha esposa e só escutei aquela zoada. Foi muito rápido, quando eu apareci, ainda peguei um pedaço da casa desmoronando. Imediatamente, chamei um vizinho e a gente subiu correndo para tirar as pessoas que estavam dentro. Tinha sete pessoas, três foram socorridas, porque ficaram soterradas, mas a gente conseguiu fazer o resgate antes de os bombeiros conseguirem chegar”, declarou.
Meteorologia
Devido às condições de risco e altos acumulados de chuvas a desde a segunda-feira (6), a Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) publicou um novo aviso meteorológico, alterando o estado de observação para o estado de atenção por volta das 4h desta terça-feira (7).
Segundo a agência, a previsão indica "continuidade de pancadas de chuvas de intensidade moderada a forte" para o Grande recife, Agreste e Mata sul.
A Defesa Civil orienta a população que mora em áreas de risco a procurar locais seguros e que pode ser acionada pelo telefone 0800.081.3400.
Resposta da prefeitura
Por meio de nota, a prefeitura do Recife disse que a Escola Ricardo Gama vai abrigar, temporariamente, as famílias atingidas por esse deslizamento. "O atendimento será integral, com oferta de acolhida para dormir, alimentação, assistência social, de saúde e mental, aplicação de vacinas, realização de consultas e oferta de medicamentos e receitas", declarou, no texto.
Ainda no comunicado, a gestão municipal afirmou que equipes da Assistência Social foram ao local para prestar apoio às famílias atingidas e contou que a Defesa Civil atua na avaliação do risco das casas para interditar as que não apresentam mais condição de habitação no momento.
A prefeitura também falou que oferece 18 locais em funcionamento provisório como abrigos e pontos de apoio, sendo nove unidades de ensino municipais.
Tragédia
Deslizamentos de barreiras e alagamentos provocados pelas fortes chuvas que atingiram o Grande Recife, a Zona da Mata e o Agreste de Pernambuco no final de maio já tinham provocado 128 mortes, o que faz desse desastre o segundo maior ocorrido no estado. Além dos óbitos, a tragédia deixou 61.596 desalojados e 9.631 desabrigados.
O desastre deixou 37 cidades pernambucanas em situação de emergência. Ao todo, 54 municípios foram atingidos pelas chuvas. O balanço foi divulgado, no domingo (5), pela Coordenadoria de Defesa Civil do estado (Codecipe).
FONTE: G1.GLOBO.COM/PE